HOA - Hospital de Olhos de Aparecida de Goiânia (GO) — Prova 2023
Das alternativas apresentadas abaixo, qual a incorreta sobre a investigação laboratorial do paciente com encefalite?
A punção lombar é crucial na encefalite, mas o líquor pode ser normal em fases iniciais ou em certas etiologias; não 'sempre' está alterado.
Embora a punção lombar seja um exame essencial na investigação da encefalite, o líquor nem sempre apresenta alterações em todas as fases da doença ou em todas as etiologias. Um líquor normal não exclui encefalite, especialmente no início do quadro, e a interpretação deve ser feita no contexto clínico e de outros exames.
A encefalite é uma inflamação do parênquima cerebral, frequentemente de etiologia infecciosa (viral, bacteriana, fúngica, parasitária) ou autoimune, que representa uma emergência neurológica. A investigação laboratorial é fundamental para identificar o agente etiológico e guiar o tratamento, sendo a punção lombar um dos pilares diagnósticos. Residentes devem estar familiarizados com a sequência e a interpretação desses exames. A punção lombar é um procedimento essencial para a análise do líquor (líquido cefalorraquidiano), que pode revelar pleocitose, proteinorraquia e alterações da glicose, fornecendo pistas importantes sobre a etiologia. O PCR para herpes vírus no líquor é particularmente crítico devido à gravidade e tratabilidade da encefalite herpética. Exames gerais como hemograma, função renal e hepática são importantes para avaliar o estado sistêmico do paciente e identificar possíveis complicações ou causas subjacentes, mesmo que inespecíficos para o diagnóstico etiológico da encefalite em si. Amostras de outros sítios, como biópsia de pele em caso de lesões associadas, podem ser valiosas para identificar o patógeno. No entanto, é um erro comum acreditar que o líquor 'sempre' estará alterado na encefalite. Em fases muito iniciais da doença, ou em algumas etiologias específicas, o líquor pode apresentar-se normal. Portanto, um resultado de líquor normal não deve atrasar a investigação ou o início do tratamento empírico, especialmente se a suspeita clínica for alta. A decisão de realizar a punção lombar deve sempre considerar as contraindicações, como sinais de hipertensão intracraniana, que exigem neuroimagem prévia para evitar risco de herniação.
Os achados típicos incluem pleocitose linfocitária (aumento de linfócitos), proteinorraquia (aumento de proteínas) e glicose normal. Em alguns casos, pode haver pleocitose neutrofílica inicial, especialmente em encefalites por HSV.
O PCR para herpes vírus (HSV) no líquor é crucial porque a encefalite por HSV é uma das formas mais graves e tratáveis de encefalite viral, exigindo início rápido de terapia antiviral (aciclovir).
A punção lombar é contraindicada na presença de sinais de hipertensão intracraniana (como papiledema, anisocoria, postura de decorticação/descerebração) ou lesão expansiva com risco de herniação cerebral, devendo-se realizar neuroimagem antes.
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