Encefalite: Investigação Etiológica e Papel do Líquor

Santa Casa de Marília (SP) — Prova 2021

Enunciado

Sobre a investigação complementar do paciente com encefalite, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) O líquor é, geralmente, o material mais importante na avaliação etiológica de um quadro de encefalite.
  2. B) A imagem do SNC deve ser realizada após 48 horas de história. Antes disso, não apresenta valor diagnóstico.
  3. C) A tomografia computadorizada de crânio pode ser realizada com o mesmo beneficio da ressonância magnética.
  4. D) As sorologias coletadas no sangue para determinados patógenos não podem contribuir para o diagnóstico etiológico da encefalite.

Pérola Clínica

Encefalite: Líquor é o material mais importante para avaliação etiológica.

Resumo-Chave

Na investigação da encefalite, a análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) é crucial para identificar o agente etiológico (viral, bacteriano, autoimune) através de exames como PCR, cultura e citologia. Embora a imagem seja importante, o LCR oferece informações etiológicas diretas.

Contexto Educacional

A encefalite é uma inflamação do parênquima cerebral, frequentemente de origem infecciosa (viral, bacteriana, fúngica, parasitária) ou autoimune, que se manifesta por disfunção cerebral, como alteração do nível de consciência, convulsões, déficits neurológicos focais e febre. É uma emergência médica que requer diagnóstico rápido e tratamento adequado para minimizar morbidade e mortalidade. A investigação complementar é crucial para determinar a etiologia. O líquido cefalorraquidiano (LCR), obtido por punção lombar, é o material mais importante para a avaliação etiológica. A análise do LCR inclui contagem de células, proteínas, glicose, cultura bacteriana e, principalmente, PCR para vírus neurotrópicos (como Herpes Simplex Vírus - HSV, que é a causa mais comum de encefalite esporádica grave). A imagem do sistema nervoso central (SNC), preferencialmente a ressonância magnética (RM), é fundamental para identificar alterações parenquimatosas (edema, lesões focais) e excluir outras condições, podendo apresentar valor diagnóstico desde o início dos sintomas. A tomografia computadorizada (TC) é menos sensível que a RM para detectar lesões precoces ou sutis. Sorologias sanguíneas para patógenos específicos (arbovírus, HIV) e painéis autoimunes podem complementar a investigação. O tratamento é empírico inicial (antivirais como aciclovir para HSV) e direcionado após a identificação do agente etiológico. A compreensão da sequência e importância dos exames é vital para o manejo eficaz.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados típicos no líquor de um paciente com encefalite viral?

Em encefalite viral, o líquor tipicamente apresenta pleocitose linfocítica, proteinorraquia leve a moderada e glicorraquia normal. O PCR para vírus neurotrópicos (ex: HSV, enterovírus) é fundamental para o diagnóstico etiológico.

Quando a imagem do SNC é útil na encefalite e qual a melhor modalidade?

A imagem do SNC (preferencialmente ressonância magnética) é útil para identificar edema, lesões focais, hemorragias ou hidrocefalia, auxiliando no diagnóstico diferencial e na localização. Pode apresentar alterações precocemente, não sendo necessário aguardar 48 horas.

As sorologias sanguíneas têm algum papel no diagnóstico da encefalite?

Sim, sorologias sanguíneas podem ser úteis para detectar anticorpos contra certos patógenos (ex: arbovírus, HIV) ou para investigar causas autoimunes (ex: anticorpos anti-NMDA), complementando a investigação do líquor.

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