HFA - Hospital das Forças Armadas (DF) — Prova 2016
Considere hipoteticamente que determinado paciente de três anos de idade apresenta quadro de febre alta há três dias, associado à coriza, espirros e tosse produtiva. Ao exame físico, observa-se criança em bom estado geral, ativa; reativa; FR = 45 irpm e murmúrio vesicular reduzido à ausculta de hemitórax direito. A radiografia de tórax evidenciou infiltrado broncopneumônico em hemitórax direito, velamento de seio costofrênico à direita e leve desvio de traqueia para a esquerda. Foi realizado toracocentese com saída de secreção purulenta com pH de 7,1 e glicose de 36 mg/dl. Com base nesse caso, assinale a alternativa que indica a conduta CORRETA:
Derrame pleural paraneumônico complicado/empiema (pH < 7,2, glicose < 40) → Drenagem torácica + ATB parenteral.
O quadro clínico e os achados da toracocentese (líquido purulento, pH 7,1, glicose 36 mg/dl) são diagnósticos de empiema pleural, uma complicação grave da pneumonia. Nesses casos, a conduta correta é internação, antibioticoterapia parenteral, oxigenoterapia e drenagem torácica fechada para evacuar o pus e permitir a expansão pulmonar.
A pneumonia é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças. Embora a maioria dos casos seja tratada ambulatorialmente, algumas evoluem com complicações graves, como o derrame pleural paraneumônico e o empiema pleural. O empiema é caracterizado pela presença de pus no espaço pleural e representa uma emergência médica. O diagnóstico de empiema é feito pela análise do líquido pleural obtido por toracocentese. Achados como pH < 7,20, glicose < 40 mg/dL, LDH elevado e, principalmente, a presença de pus franco, confirmam a complicação. Clinicamente, o paciente pode apresentar febre persistente, desconforto respiratório e sinais de derrame pleural ao exame físico e radiografia. A conduta para empiema pleural é a internação hospitalar, antibioticoterapia parenteral de amplo espectro e, crucialmente, a drenagem do espaço pleural. A drenagem torácica fechada com um dreno de tórax é o método padrão para evacuar o pus, permitir a reexpansão pulmonar e prevenir sequelas como o pulmão encarcerado. A oxigenoterapia é indicada para pacientes com hipoxemia.
Os critérios incluem pH pleural < 7,20, glicose pleural < 40 mg/dL, LDH pleural > 3x o limite superior do soro, presença de bactérias na coloração de Gram ou cultura, ou presença de pus franco no líquido pleural.
A drenagem torácica é essencial para remover o pus, aliviar a compressão pulmonar, permitir a reexpansão do pulmão, reduzir a carga bacteriana e facilitar a ação dos antibióticos, prevenindo complicações como fibrose e encarceramento pulmonar.
A antibioticoterapia inicial deve ser de amplo espectro, cobrindo os patógenos mais comuns (Streptococcus pneumoniae, Staphylococcus aureus, Haemophilus influenzae), como ceftriaxona associada a clindamicina ou vancomicina, dependendo do perfil de resistência local e idade da criança.
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