Empiema Pleural Pós-Traumático: Diagnóstico e Conduta

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2011

Enunciado

Paciente, internado há oito dias em hospital secundário, vítima de politraumatismo por queda de moto apresentava trauma torácico e abdominal contusos. Foi submetido a drenagem torácica direita devido a hemotórax, com sucesso, sendo o dreno retirado sem intercorrências, há dois dias. Foi submetido a laparotomia exploradora sendo realizada rafia de lesão hepática e limpeza da cavidade. Paciente evoluía satisfatoriamente, alimentando-se, deambulando e evacuando normalmente, porém há 24 horas queixa-se de dor torácica à inspiração, com irradiação para o dorso, tosse seca, fôlego curto e falta de ar. Apresentou dois picos febris nas últimas 24 horas. O abdome é indolor, depressível, com ruídos hidroaéreos presentes e normais. A ausculta do tórax revela murmúrio vesicular discretamente diminuído em base pulmonar direita. Diante desta situação, pergunta-se qual a hipótese diagnóstica e a conduta?

Alternativas

  1. A) Empiema pleural. Radiografia simples de tórax. Drenagem torácica.
  2. B) Pneumonia hospitalar. Raio X simples de tórax. Iniciar ceftriaxona 2 g/dia por via endovenosa.
  3. C) Encarceramento pulmonar. Tomografia computadorizada de tórax. Decorticação pulmonar.
  4. D) Atelectasia pulmonar à direita. Raio X simples de tórax. Fisioterapia respiratória e deambulação.
  5. E) Abcesso pulmonar. Tomografia de tórax. Lobectomia de urgência.

Pérola Clínica

Febre + Dor pleurítica + Antecedente de hemotórax/drenagem → Empiema Pleural.

Resumo-Chave

Em pacientes politraumatizados com histórico de hemotórax e drenagem, o surgimento de febre e dor torácica após a retirada do dreno sugere fortemente empiema pleural por coleção retida infectada.

Contexto Educacional

O empiema pleural é uma complicação grave em pacientes vítimas de trauma torácico. No cenário descrito, o paciente teve um hemotórax drenado, mas a recorrência de sintomas respiratórios e febre após a retirada do dreno aponta para uma coleção infectada. O diagnóstico diferencial inclui pneumonia e atelectasia, mas a dor pleurítica e o histórico de manipulação pleural tornam o empiema a hipótese principal. A fisiopatologia envolve a colonização do espaço pleural por patógenos (frequentemente Staphylococcus aureus em traumas). O tratamento não se baseia apenas em antibioticoterapia; o controle do foco com drenagem eficaz é o pilar terapêutico. A falha em reconhecer e tratar precocemente pode levar ao encarceramento pulmonar crônico e sepse de origem torácica.

Perguntas Frequentes

Como se forma o empiema pleural após um trauma?

O empiema pós-traumático geralmente resulta da infecção de um hemotórax retido (sangue que não foi totalmente drenado) ou por contaminação externa durante a inserção do dreno de tórax. O sangue no espaço pleural serve como um excelente meio de cultura para bactérias, evoluindo de uma fase exsudativa para fibropurulenta.

Qual o melhor exame para diagnosticar empiema pleural?

A radiografia de tórax é o exame inicial, mostrando derrame pleural ou coleções loculadas. No entanto, a Tomografia Computadorizada (TC) de tórax com contraste é superior para avaliar o encarceramento pulmonar, septações e guiar a conduta. A confirmação definitiva é feita pela toracocentese, revelando pus, pH < 7.2, glicose baixa ou presença de bactérias.

Qual a conduta no empiema pleural fase II (fibropurulento)?

A conduta exige a drenagem do material purulento. Se o empiema for inicial, a drenagem tubular fechada pode ser suficiente. Em casos de coleções loculadas ou falha na drenagem inicial, pode ser necessária a videotoracoscopia (VATS) para desbridamento ou, em fases tardias, a decorticação pulmonar por toracotomia.

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