Empiema Pleural: Diagnóstico e Manejo Terapêutico

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2024

Enunciado

Sobre os Empiemas é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) a antibioticoterapia (ATBterapia) sistêmica não faz parte do tratamento.
  2. B) a drenagem pleural por toracostomia fechada é imprescindível para a eficácia do tratamento.
  3. C) o início da ATBterapia antes da toracocentese pode promover a coleta de um líquido pleural estéril.
  4. D) a causa mais frequente de um empiema pleural é disseminação hematogênica. E) um pH>7,3 no líquido pleural sugere fortemente tratar-se de um empiema.

Pérola Clínica

ATB prévio → Líquido pleural estéril (cultura negativa), mas não exclui empiema clínico.

Resumo-Chave

O diagnóstico de empiema é clínico, radiológico e bioquímico; o uso prévio de antibióticos pode esterilizar o líquido pleural, dificultando a identificação do agente etiológico, mas não anula a necessidade de drenagem se houver critérios de gravidade.

Contexto Educacional

O empiema pleural é uma complicação grave das pneumonias, ocorrendo em cerca de 5-10% dos casos hospitalizados. A fisiopatologia envolve a transudação de líquido para o espaço pleural devido à inflamação, seguida pela invasão bacteriana e resposta imune intensa. A rápida progressão da fase exsudativa para a fibrinopurulenta exige diagnóstico precoce através da toracocentese. O manejo baseia-se no tripé: antibioticoterapia sistêmica de amplo espectro, drenagem eficaz do espaço pleural e reexpansão pulmonar. Em casos de diagnóstico tardio ou falha na drenagem simples, intervenções como o uso de fibrinolíticos intrapleurais ou a decorticação pulmonar por videotoracoscopia (VATS) tornam-se necessárias para evitar sequelas restritivas permanentes.

Perguntas Frequentes

Como o uso de antibióticos afeta a análise do líquido pleural?

O início da antibioticoterapia sistêmica antes da realização da toracocentese é uma causa comum de culturas negativas (líquido estéril) em pacientes com empiema pleural evidente. No entanto, as alterações bioquímicas, como o pH reduzido (< 7,2), a glicose baixa (< 40-60 mg/dL) e o LDH elevado (> 1000 U/L), geralmente persistem, permitindo o diagnóstico de derrame parapneumônico complicado mesmo sem o crescimento bacteriano.

Quais são as três fases evolutivas do empiema?

O empiema pleural evolui em três estágios: 1) Fase Exsudativa, com líquido fluido e baixa celularidade; 2) Fase Fibrinopurulenta, caracterizada por deposição de fibrina, formação de septações e lóculos (o líquido torna-se turvo ou purulento); 3) Fase Organizativa, onde fibroblastos invadem a pleura, formando uma carapaça fibrosa espessa que impede a expansão pulmonar (pulmão encarcerado).

Quando a drenagem pleural é obrigatória no derrame parapneumônico?

A drenagem por toracostomia com selo d'água é indicada quando há: presença de pus franco (empiema), visualização de bactérias no Gram ou cultura positiva, pH < 7,2, glicose < 40-60 mg/dL ou presença de loculações ao exame de imagem. O tratamento apenas com antibióticos é reservado para derrames parapneumônicos simples (não complicados) que não preenchem esses critérios.

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