Empiema Pleural e Critérios de Light: Diagnóstico

FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2015

Enunciado

Homem branco, 42 anos, com diagnóstico de neoplasia de esôfago em tratamento oncológico com quimioterapia e resposta clinica inicial adequada, é internado para investigação por apresentar há 2 meses febre vespertina com sudorese noturna, astenia, emagrecimento com perda de 8 kg nos últimos 30 dias, dor torácica pleurítica à direita, tosse produtiva e dispneia progressiva, com trepopnéia ao decúbito lateral esquerdo. Ao exame físico, encontrava-se emagrecido, hipocorado ++/4, Cianose central +/4, Frequência respiratória de 36 irpm, expansibilidade diminuída a direita, com frêmito tóraco-vocal e murmúrio vesicular abolidos em 2/3 inferiores do hemitórax direito. A radiografia de tórax em PA da admissão mostra velamento de 2/3 inferiores à direita, confirmando presença de liquido livre ao ser realizado Raio X em Laurell D. Foi realizada toracocentese diagnóstica, cuja seguinte análise do líquido pleural confirmou a presença de Empiema Pleural:

Alternativas

  1. A) Aspecto turvo, relação entre proteínas do liquido pleural/soro maior que 0,5; Desidrogenase lática(LDH) do liquido pleural maior que 2/3 do limite superior normal no soro, celularidade com predomínio de linfócitos pequenos.
  2. B) Aspecto citrino, relação Desidrogenase lática (LDH) do liquido pleural/soro menor que 0,6, glicose maior que 60 mg/dl, diferencial de células com predomínio de mononucleares.
  3. C) Aspecto hemorrágico, relação entre proteínas do liquido pleural / soro menor que 0,5, glicose baixa, hematócrito do liquido pleural maior que a metade do valor determinado no sangue periférico.
  4. D) Aspecto leitoso, relação Desidrogenase lática (LDH) do liquido pleural / soro maior que 0,6, análisebioquímica com níveis de triglicerídeos acima de 110 mg/dl, diferencial de células com predomínio de polimorfonucleares.

Pérola Clínica

Critérios de Light (Proteína LP/Soro > 0,5 ou LDH LP/Soro > 0,6) = Exsudato.

Resumo-Chave

O empiema pleural é um exsudato definido pela presença de pus ou critérios bioquímicos de inflamação intensa, frequentemente associado a infecções ou complicações neoplásicas.

Contexto Educacional

O manejo do derrame pleural começa obrigatoriamente pela distinção entre transudato e exsudato através dos Critérios de Light. Transudatos ocorrem por desequilíbrio nas pressões hidrostática e oncótica (ex: insuficiência cardíaca, cirrose), enquanto exsudatos resultam de processos inflamatórios, infecciosos ou neoplásicos que aumentam a permeabilidade capilar ou obstruem a drenagem linfática. O empiema pleural representa a invasão bacteriana do espaço pleural. Fisiopatologicamente, evolui em três fases: exsudativa (estéril), fibrinopurulenta (invasão bacteriana e formação de fibrina) e organizativa (fibrose e formação de carapaça pleural). O diagnóstico precoce via toracocentese é crucial, pois a presença de pus ou indicadores bioquímicos de gravidade (baixo pH e glicose) dita a necessidade de intervenção cirúrgica ou drenagem tubular para evitar sequelas restritivas permanentes.

Perguntas Frequentes

Quais são os Critérios de Light para exsudato?

Os Critérios de Light são utilizados para diferenciar exsudatos de transudatos com alta sensibilidade. Um derrame é classificado como exsudato se apresentar pelo menos um dos seguintes: 1) Relação proteína do líquido pleural/proteína sérica > 0,5; 2) Relação LDH do líquido pleural/LDH sérico > 0,6; 3) LDH do líquido pleural > 2/3 do limite superior da normalidade do LDH sérico. No contexto de empiema, o líquido é invariavelmente um exsudato, apresentando frequentemente glicose baixa (< 40-60 mg/dL), pH ácido (< 7,2) e LDH muito elevado (> 1000 U/L).

Como diferenciar empiema de derrame parapneumônico simples?

O derrame parapneumônico simples é um exsudato límpido que responde apenas à antibioticoterapia. O empiema pleural é a fase purulenta ou infectada, caracterizado pela presença de pus macroscópico na toracocentese, coloração de Gram ou cultura positiva, ou critérios bioquímicos de 'derrame parapneumônico complicado' (pH < 7,2, glicose < 40 mg/dL e LDH > 1000 U/L). Clinicamente, o empiema exige drenagem torácica imediata, além da antibioticoterapia, devido ao alto risco de loculação e encarceramento pulmonar.

Qual a importância da celularidade no líquido pleural?

A celularidade ajuda a estreitar o diagnóstico diferencial dos exsudatos. O predomínio de polimorfonucleares (neutrófilos) sugere processos agudos, como pneumonia (derrame parapneumônico/empiema), embolia pulmonar ou pancreatite. Já o predomínio de linfócitos (> 50%) é característico de condições crônicas, sendo as principais causas a tuberculose pleural e a neoplasia. No caso clínico apresentado, embora o gabarito aponte para empiema com linfócitos (o que é atípico para empiema bacteriano agudo), em pacientes oncológicos, a sobreposição de causas neoplásicas e infecciosas deve ser sempre considerada.

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