Empiema Pleural: Quando Indicar Pleuroscopia e Debridamento

UFU/HC - Hospital de Clínicas de Uberlândia (MG) — Prova 2015

Enunciado

José Carlos, 25 anos, sem doenças prévias, apresentou cinco dias de mialgia, coriza, tosse improdutiva e febre. Procurou hospital local onde foi internado com diagnóstico de broncopneumonia à direita, associada a derrame pleural ipsilateral. Decorridos três dias de internação, apresentou piora clínica, com taquipnéia, aumento da dor torácica e elevação do número total de leucócitos, com desvio à esquerda. O cirurgião optou por toracostomia com drenagem fechada utilizando um dreno torácico de 28 Fr. No quarto dia após a inserção do dreno torácico, o débito permaneceu de 500 ml/dia de líquido amarelo escuro com grumos. O radiograma de tórax mostrou manutenção da imagem de consolidação à direita, sem evidências de atelectasia. Neste momento da evolução deste paciente qual seria a melhor conduta a ser tomada?

Alternativas

  1. A) Trocar o dreno torácico por um mais calibroso, com troca de antibiótico orientado pela hemocultura.
  2. B) Expectante por mais 10 dias com uso de antibioticoterapia.
  3. C) Fazer uma toracostomia aberta.
  4. D) Proceder a um a pleuroscopia para debridamento da cavidade empiemática.
  5. E) Proceder à passagem de um segundo dreno, dois espaços intercostais abaixo. 

Pérola Clínica

Empiema com drenagem inadequada e grumos → considerar pleuroscopia para debridamento.

Resumo-Chave

A presença de grumos no líquido drenado, persistência de alto débito e piora clínica após drenagem inicial de um empiema sugere falha da drenagem simples e a necessidade de intervenção mais agressiva, como a pleuroscopia para debridamento, que permite a lise de aderências e remoção de coleções loculadas.

Contexto Educacional

O empiema pleural é uma coleção de pus na cavidade pleural, geralmente uma complicação de pneumonia. Sua evolução passa por fases: exsudativa, fibrinopurulenta e organizada. O tratamento inicial envolve antibioticoterapia e drenagem do espaço pleural. Em casos de empiema fibrinopurulento, onde há formação de fibrina e loculações, a drenagem simples pode ser ineficaz. A persistência de sintomas, débito com grumos e manutenção das alterações radiológicas indicam falha da drenagem e a necessidade de uma abordagem mais agressiva. A pleuroscopia (videotoracoscopia) é a conduta de escolha nesses casos, permitindo o debridamento da cavidade, a lise das aderências e a remoção de coleções loculadas, otimizando a drenagem e a resolução do processo infeccioso, com menor morbidade que a toracotomia aberta.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de falha da drenagem torácica em um empiema?

Sinais de falha incluem persistência de febre, leucocitose, dor torácica, débito elevado com características purulentas ou com grumos, e radiografia de tórax com manutenção da consolidação ou derrame.

O que é a pleuroscopia e por que é indicada no empiema?

A pleuroscopia (ou videotoracoscopia) é um procedimento minimamente invasivo que permite visualizar a cavidade pleural, quebrar aderências, remover fibrina e debridar coleções loculadas, otimizando a drenagem e a resolução do empiema.

Quais são as fases do empiema pleural e como elas influenciam o tratamento?

O empiema tem fases exsudativa, fibrinopurulenta e organizada. Na fase fibrinopurulenta, com loculações e grumos, a pleuroscopia é mais eficaz. Na fase organizada, pode ser necessária toracotomia e decorticação.

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