HPP - Hospital Infantil Pequeno Príncipe (PR) — Prova 2020
Mulher de 62 anos apresenta-se com queixa de tosse, astenia e febre não aferida há aproximadamente duas semanas. Ao exame físico apresenta-se prostrada, discreta palidez cutânea, ausculta pulmonar apresentando roncos à direita, com murmúrio reduzido em base direita. Raio X de tórax evidencia consolidação pulmonar e broncogramas aéreos em base direita, não sendo possível visibilização do seio costofrênico deste lado, com liquido livre ao Raio X em decúbito lateral direito e raios horizontais. Realizada toracocentese cuja análise do liquido demonstra pH 6.9, glicose de 15mg/dL, desidrogenase lática de 2.500UI/L. A conduta a ser tomada será:
Derrame pleural parapneumônico com pH < 7.2, glicose < 60 mg/dL, LDH > 1000 UI/L (ou > 3x limite superior sérico) → Empiema ou derrame complicado → Drenagem torácica + ATB.
Os achados da toracocentese (pH 6.9, glicose 15 mg/dL, LDH 2.500 UI/L) são altamente sugestivos de um derrame pleural parapneumônico complicado ou empiema. Nesses casos, a antibioticoterapia isolada é insuficiente, sendo essencial a drenagem torácica para remover o pus/líquido infectado e melhorar o prognóstico.
O derrame pleural parapneumônico é uma complicação comum da pneumonia bacteriana, ocorrendo quando a inflamação pulmonar se estende à pleura. Ele pode variar de um derrame não complicado, que se resolve com antibioticoterapia, a um derrame complicado ou empiema, que requer intervenção mais agressiva. A diferenciação é crucial para o manejo adequado. A análise do líquido pleural obtido por toracocentese é a chave para essa diferenciação. Critérios como pH < 7.20, glicose < 60 mg/dL e LDH > 3 vezes o limite superior normal sérico são indicativos de um derrame complicado ou empiema. A presença de pus franco ou bactérias no Gram também confirma o empiema. Nesses casos, o líquido pleural é altamente inflamatório e pode levar à formação de septos e loculações, dificultando a resolução. A conduta para derrames parapneumônicos complicados e empiema inclui antibioticoterapia sistêmica direcionada ao patógeno (se identificado) e, fundamentalmente, a drenagem torácica. A drenagem visa remover o líquido infectado, aliviar a pressão sobre o pulmão e permitir sua reexpansão. Em alguns casos, pode ser necessária a fibrinólise intrapleural ou a videotoracoscopia para quebrar as loculações e facilitar a drenagem. O tratamento precoce e adequado é essencial para prevenir complicações como fibrose pleural e encarceramento pulmonar.
Um derrame pleural parapneumônico é considerado complicado ou empiema quando o líquido pleural apresenta pH < 7.20, glicose < 60 mg/dL, LDH > 3 vezes o limite superior sérico, presença de bactérias na coloração de Gram ou cultura, ou presença de pus franco.
A drenagem torácica é necessária no empiema pleural para remover o líquido purulento, que é rico em bactérias e mediadores inflamatórios, e para permitir a reexpansão pulmonar. Apenas a antibioticoterapia é insuficiente, pois o líquido infectado e espesso impede a ação adequada dos antibióticos e pode levar à formação de loculações e fibrose pleural.
Os critérios de Light são utilizados para diferenciar um derrame pleural em transudato ou exsudato. Um derrame é exsudato se pelo menos um dos seguintes critérios for atendido: relação proteína pleural/sérica > 0.5, relação LDH pleural/sérica > 0.6, ou LDH pleural > 2/3 do limite superior normal da LDH sérica. No caso de um exsudato, a análise adicional do pH, glicose e LDH pleural é crucial para classificar derrames parapneumônicos.
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