Empiema Pleural em Síndrome Nefrótica: Diagnóstico e Achados

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2015

Enunciado

Menino,12 anos, portador de síndrome nefrótica, apresenta tosse e febre há quatro dias e, há dois dias, anasarca. Ao exame apresenta-se em  mal estado geral, com edema bipalpebral, dispneia grave, ascite, macicez à percussão torácica e abolição de MV em terço médio e inferior de hemitórax direito. Realizada punção torácica com saída de líquido turvo, e os primeiros resultados da análise do líquido pleural revelam: pH 6,9; glicose 20 mg%; DHL 1500 UI/ml. Os achados clínico/laboratoriais correspondem a:

Alternativas

  1. A) Transudato secundário à hipervolemia.
  2. B) Transudato secundário à hipoalbuminemia.
  3. C) Empiema pleural, pneumonia bacteriana.
  4. D) Exsudato, provável tuberculose pleural.
  5. E) Exsudato, provável pneumonia por Micoplasma.

Pérola Clínica

pH < 7,2, glicose < 40 mg/dL e DHL > 1000 UI/mL no líquido pleural → Empiema bacteriano.

Resumo-Chave

A síndrome nefrótica predispõe a infecções, incluindo empiema pleural, devido à imunossupressão e perda de proteínas. Os achados do líquido pleural (pH baixo, glicose baixa, DHL alto) são clássicos de um exsudato complicado, altamente sugestivos de empiema bacteriano, exigindo drenagem e antibioticoterapia.

Contexto Educacional

O empiema pleural é uma coleção de pus no espaço pleural, geralmente uma complicação de pneumonia bacteriana. Em pacientes pediátricos, especialmente aqueles com condições subjacentes como a síndrome nefrótica, o risco de infecções é aumentado. A síndrome nefrótica, caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia, predispõe a infecções devido à perda de imunoglobulinas e fatores do complemento na urina, bem como ao estado de edema generalizado. O diagnóstico de empiema pleural baseia-se em achados clínicos como febre, tosse, dispneia e sinais de derrame pleural (macicez, abolição de murmúrio vesicular), associados à análise do líquido pleural. Critérios laboratoriais chave para empiema incluem pH < 7,2, glicose < 40 mg/dL e DHL > 1000 UI/ml. A presença de líquido turvo e esses parâmetros bioquímicos são altamente sugestivos de infecção bacteriana no espaço pleural, diferenciando-o de um transudato ou de um derrame parapneumônico não complicado. O tratamento do empiema pleural é uma emergência médica e envolve a drenagem do espaço pleural, geralmente por toracostomia com tubo, e antibioticoterapia sistêmica. A escolha do antibiótico deve cobrir os patógenos mais comuns (Streptococcus pneumoniae, Staphylococcus aureus, anaeróbios) e ser ajustada conforme a cultura e sensibilidade. A falha no reconhecimento e tratamento precoce pode levar a complicações graves como sepse, fibrose pleural e encarceramento pulmonar.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados laboratoriais de um empiema pleural?

Um empiema pleural é caracterizado por um líquido pleural com pH < 7,2, glicose < 40 mg/dL e DHL > 1000 UI/ml, além de contagem elevada de leucócitos e presença de bactérias na coloração de Gram ou cultura.

Como a síndrome nefrótica predispõe ao empiema pleural?

A síndrome nefrótica causa imunossupressão devido à perda urinária de imunoglobulinas e proteínas do complemento, além de edema generalizado que pode favorecer a proliferação bacteriana, aumentando o risco de infecções como o empiema.

Qual a conduta inicial para um paciente com empiema pleural?

A conduta inicial para empiema pleural inclui drenagem torácica para remover o pus e antibioticoterapia empírica de amplo espectro, que deve ser ajustada após os resultados da cultura e antibiograma do líquido pleural.

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