SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025
Sobre as emergências oncológicas é INCORRETO afirmar que:
Corticoides na SVCS → indicados apenas em tumores responsivos (linfoma/timoma); não são universais.
O manejo das emergências oncológicas exige precisão etiológica. O uso indiscriminado de corticoides na SVCS pode mascarar diagnósticos histopatológicos e não beneficia tumores sólidos não-responsivos.
As emergências oncológicas representam situações críticas onde o atraso no manejo pode levar a sequelas permanentes ou óbito. A Síndrome da Veia Cava Superior (SVCS) é classicamente causada por compressão extrínseca ou invasão direta da veia por neoplasias intratorácicas. O tratamento definitivo geralmente envolve radioterapia ou quimioterapia, dependendo da sensibilidade do tumor, mas o suporte clínico com cabeceira elevada e oxigenioterapia é imediato. A Síndrome da Lise Tumoral (SLT) é uma emergência metabólica comum em neoplasias hematológicas de alta proliferação, como o Linfoma de Burkitt e Leucemias Agudas. A rápida destruição celular libera conteúdo intracelular na circulação, sobrecarregando os mecanismos de excreção. O manejo foca na prevenção da nefropatia por cristais. Já a hipercalcemia da malignidade é a causa mais comum de hipercalcemia em pacientes hospitalizados, exigindo uma abordagem agressiva para evitar falência renal e coma.
O uso de corticosteroides na Síndrome da Veia Cava Superior (SVCS) não é universal. Ele é indicado principalmente quando a causa subjacente é um tumor responsivo a esteroides, como linfomas (especialmente linfoma não-Hodgkin) ou timomas, onde ajudam a reduzir a massa tumoral e o edema associado. Em casos de carcinoma de pulmão de pequenas células, também pode haver benefício. No entanto, em tumores sólidos como o carcinoma de pulmão de não-pequenas células, o benefício é limitado. É crucial evitar o uso de corticoides antes da biópsia em suspeitas de linfoma, pois a lise celular induzida pelo corticoide pode inviabilizar o diagnóstico histopatológico.
A Síndrome da Lise Tumoral é definida laboratorialmente pelos critérios de Cairo-Bishop, que incluem a presença de pelo menos dois dos seguintes achados: hiperuricemia (> 8 mg/dL), hipercalemia (> 6 mEq/L), hiperfosfatemia (> 4,5 mg/dL) e hipocalcemia secundária (< 7 mg/dL). Clinicamente, a SLT ocorre quando essas alterações metabólicas levam a complicações graves, como insuficiência renal aguda (devido à precipitação de cristais de ácido úrico ou fosfato de cálcio), arritmias cardíacas ou convulsões. A profilaxia com hidratação vigorosa e hipouricemiantes (alopurinol ou rasburicase) é fundamental em pacientes de alto risco.
A hipercalcemia da malignidade ocorre por três mecanismos principais: 1) Secreção de Proteína Relacionada ao Paratormônio (PTHrP), comum em carcinomas espinocelulares (pulmão, cabeça e pescoço); 2) Osteólise local por metástases ósseas, frequente no câncer de mama e mieloma múltiplo; 3) Produção excessiva de 1,25-di-hidroxivitamina D, típica em linfomas. O tratamento inicial foca na expansão volêmica com solução salina 0,9% para aumentar a excreção renal de cálcio, seguida pelo uso de bisfosfonatos intravenosos (como o ácido zoledrônico) para inibir a reabsorção óssea mediada pelos osteoclastos.
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