Emergências Oncológicas: SVCS, Lise Tumoral e Hipercalcemia

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025

Enunciado

Sobre as emergências oncológicas é INCORRETO afirmar que:

Alternativas

  1. A) A obstrução da veia cava superior é frequentemente causada por tumores torácicos, como carcinoma de pulmão de células pequenas e linfoma.
  2. B) O alopurinol é indicado profilaticamente para reduzir a formação de ácido úrico em pacientes de alto risco para síndrome da lise tumoral (SLT).
  3. C) Corticosteróides são sempre recomendados em todos os casos de síndrome da veia cava superior para reduzir a inflamação local, independentemente da causa subjacente.
  4. D) A SLT é caracterizada por hipercalemia, hiperfosfatemia, hiperuricemia e hipocalcemia, devido à rápida destruição celular.
  5. E) A hipercalcemia é mais comumente associada a tumores como câncer de pulmão de células escamosas, mieloma múltiplo e câncer de mama.

Pérola Clínica

Corticoides na SVCS → indicados apenas em tumores responsivos (linfoma/timoma); não são universais.

Resumo-Chave

O manejo das emergências oncológicas exige precisão etiológica. O uso indiscriminado de corticoides na SVCS pode mascarar diagnósticos histopatológicos e não beneficia tumores sólidos não-responsivos.

Contexto Educacional

As emergências oncológicas representam situações críticas onde o atraso no manejo pode levar a sequelas permanentes ou óbito. A Síndrome da Veia Cava Superior (SVCS) é classicamente causada por compressão extrínseca ou invasão direta da veia por neoplasias intratorácicas. O tratamento definitivo geralmente envolve radioterapia ou quimioterapia, dependendo da sensibilidade do tumor, mas o suporte clínico com cabeceira elevada e oxigenioterapia é imediato. A Síndrome da Lise Tumoral (SLT) é uma emergência metabólica comum em neoplasias hematológicas de alta proliferação, como o Linfoma de Burkitt e Leucemias Agudas. A rápida destruição celular libera conteúdo intracelular na circulação, sobrecarregando os mecanismos de excreção. O manejo foca na prevenção da nefropatia por cristais. Já a hipercalcemia da malignidade é a causa mais comum de hipercalcemia em pacientes hospitalizados, exigindo uma abordagem agressiva para evitar falência renal e coma.

Perguntas Frequentes

Quando o uso de corticoides é realmente indicado na Síndrome da Veia Cava Superior?

O uso de corticosteroides na Síndrome da Veia Cava Superior (SVCS) não é universal. Ele é indicado principalmente quando a causa subjacente é um tumor responsivo a esteroides, como linfomas (especialmente linfoma não-Hodgkin) ou timomas, onde ajudam a reduzir a massa tumoral e o edema associado. Em casos de carcinoma de pulmão de pequenas células, também pode haver benefício. No entanto, em tumores sólidos como o carcinoma de pulmão de não-pequenas células, o benefício é limitado. É crucial evitar o uso de corticoides antes da biópsia em suspeitas de linfoma, pois a lise celular induzida pelo corticoide pode inviabilizar o diagnóstico histopatológico.

Quais são os critérios diagnósticos e laboratoriais da Síndrome da Lise Tumoral (SLT)?

A Síndrome da Lise Tumoral é definida laboratorialmente pelos critérios de Cairo-Bishop, que incluem a presença de pelo menos dois dos seguintes achados: hiperuricemia (> 8 mg/dL), hipercalemia (> 6 mEq/L), hiperfosfatemia (> 4,5 mg/dL) e hipocalcemia secundária (< 7 mg/dL). Clinicamente, a SLT ocorre quando essas alterações metabólicas levam a complicações graves, como insuficiência renal aguda (devido à precipitação de cristais de ácido úrico ou fosfato de cálcio), arritmias cardíacas ou convulsões. A profilaxia com hidratação vigorosa e hipouricemiantes (alopurinol ou rasburicase) é fundamental em pacientes de alto risco.

Como diferenciar a fisiopatologia da hipercalcemia da malignidade?

A hipercalcemia da malignidade ocorre por três mecanismos principais: 1) Secreção de Proteína Relacionada ao Paratormônio (PTHrP), comum em carcinomas espinocelulares (pulmão, cabeça e pescoço); 2) Osteólise local por metástases ósseas, frequente no câncer de mama e mieloma múltiplo; 3) Produção excessiva de 1,25-di-hidroxivitamina D, típica em linfomas. O tratamento inicial foca na expansão volêmica com solução salina 0,9% para aumentar a excreção renal de cálcio, seguida pelo uso de bisfosfonatos intravenosos (como o ácido zoledrônico) para inibir a reabsorção óssea mediada pelos osteoclastos.

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