Feocromocitoma: Diagnóstico e Manejo da Crise Hipertensiva

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem, 34a, procura Pronto Atendimento por cefaleia há duas semanas, que inicialmente melhorava com analgésicos simples, evoluindo com piora progressiva. Tem apresentado episódios de mal-estar, caracterizado como palpitações e tremores de extremidades e sudorese intensa, tratado como síndrome do pânico, aguardando consulta do psiquiatra. Nos últimos dois dias refere ter piorado da cefaleia. Nas últimas 24 horas está com náuseas, cansaço aos mínimos esforços e redução do volume urinário. Exame físico: paciente um pouco agitado; pulsação carotídea visível; PA=224/144mmHg; FC=128bpm; FR=26irpm; oximetria de pulso=92% em ar ambiente. Pulmões: crepitações finas em 2/3, bilateralmente; edema +/4 em membros inferiores. Fundo de olho. CONSIDERANDO A HIPÓTESE DIAGNÓSTICA, O MEDICAMENTO DE ESCOLHA É:

Alternativas

Pérola Clínica

Crise hipertensiva + sintomas adrenérgicos (palpitação, sudorese, tremor) + EAP → Feocromocitoma. Iniciar bloqueio alfa.

Resumo-Chave

O quadro clínico de hipertensão grave, taquicardia, sudorese, tremores e palpitações, agravado por edema agudo de pulmão, é altamente sugestivo de uma emergência hipertensiva secundária a feocromocitoma. O tratamento inicial requer bloqueio alfa-adrenérgico antes do beta-bloqueio para evitar piora da hipertensão.

Contexto Educacional

O feocromocitoma é um tumor raro de células cromafins que secreta catecolaminas, resultando em hipertensão paroxística ou sustentada. É uma causa importante de hipertensão secundária e pode levar a emergências hipertensivas com alta morbimortalidade se não diagnosticado e tratado corretamente. A suspeita clínica é fundamental para o diagnóstico precoce e manejo adequado, especialmente em pacientes jovens com sintomas adrenérgicos. A incidência é baixa, mas a identificação é crucial devido ao risco de complicações cardiovasculares graves. A fisiopatologia envolve a liberação excessiva de noradrenalina e adrenalina, causando vasoconstrição, taquicardia e aumento da pressão arterial. O diagnóstico é baseado na dosagem de metanefrinas plasmáticas ou urinárias de 24 horas e na localização do tumor por exames de imagem. Em uma crise hipertensiva, a prioridade é o controle da pressão arterial e dos sintomas. A presença de edema agudo de pulmão e lesão de órgão-alvo classifica o quadro como emergência hipertensiva, exigindo tratamento imediato. O tratamento definitivo é cirúrgico, mas a preparação pré-operatória com bloqueio alfa-adrenérgico é essencial para prevenir crises intraoperatórias. Em emergências, o uso de bloqueadores alfa (como fentolamina) é a primeira linha, seguido, se necessário, por beta-bloqueadores ou outros anti-hipertensivos. O prognóstico é bom com o tratamento adequado, mas a recorrência e a malignidade devem ser monitoradas. Residentes devem estar atentos a essa condição rara, mas potencialmente fatal, para um manejo eficaz.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas que sugerem feocromocitoma em uma crise hipertensiva?

Os sinais e sintomas incluem hipertensão grave e lábil, cefaleia intensa, palpitações, sudorese profusa, tremores, ansiedade e, em casos graves, edema agudo de pulmão. A presença de uma tríade clássica (cefaleia, palpitações, sudorese) é um forte indicativo.

Qual é o medicamento de escolha inicial para uma crise hipertensiva por feocromocitoma?

O medicamento de escolha inicial é um bloqueador alfa-adrenérgico, como fentolamina ou fenoxibenzamina. O bloqueio alfa deve ser instituído antes de qualquer beta-bloqueador para evitar o risco de vasoconstrição não oposta e piora da hipertensão.

Por que a avaliação do fundo de olho é importante neste caso?

A avaliação do fundo de olho é crucial para identificar sinais de retinopatia hipertensiva, que indica o grau de lesão de órgão-alvo causada pela hipertensão crônica ou aguda grave, auxiliando na classificação da emergência hipertensiva.

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