UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2022
Paciente, masculino, 58 anos, trazido pelo SAMU com história de cefaleia, confusão mental e crise convulsiva há cerca de 1 hora em seu domicílio. No momento, com cefaleia persistente, apresentando os seguintes sinais vitais: PAS 215 mmHg, PAD 120 mmHg, FC 93 bpm, FR 18 irpm, Glicemia Capilar 83 mg/dL, Sat. O2 97% em ar ambiente. No exame físico, sem déficits neurológicos focais, consciente e orientado, Escala de Coma de Glasgow = 15, pupilas isofotorreagentes. Ausculta respiratória: murmúrios vesiculares presentes, sem ruídos adventícios. Ausculta cardíaca: Bulhas cardíacas normofonéticas, ritmo cardíaco regular. A abordagem mais adequada, no departamento de emergência, deste caso deve incluir:
Emergência hipertensiva com sintomas neurológicos: Avaliar fundo de olho para papiledema, indicativo de encefalopatia hipertensiva.
Em um paciente com emergência hipertensiva (PA > 180/120 mmHg) e sintomas neurológicos como cefaleia, confusão mental e convulsão, a avaliação do fundo de olho é crucial para identificar papiledema ou retinopatia hipertensiva, que são sinais de lesão de órgão-alvo e guiam a urgência e o tipo de tratamento anti-hipertensivo.
A emergência hipertensiva é uma condição grave caracterizada por uma elevação acentuada da pressão arterial (geralmente PAS > 180 mmHg e/ou PAD > 120 mmHg) acompanhada de lesão aguda e progressiva de órgãos-alvo, como cérebro, coração, rins ou olhos. A encefalopatia hipertensiva, como apresentada no caso, manifesta-se com cefaleia, confusão mental, alterações visuais e convulsões, sem déficits neurológicos focais persistentes. A fisiopatologia envolve uma falha na autorregulação vascular, levando à hiperperfusão cerebral e extravasamento de fluido para o interstício, resultando em edema cerebral. O diagnóstico é clínico, mas a avaliação da extensão da lesão de órgão-alvo é crucial. O exame de fundo de olho é uma ferramenta diagnóstica essencial, pois a presença de papiledema confirma a encefalopatia hipertensiva e indica a necessidade de redução imediata da pressão arterial. O manejo inicial no departamento de emergência inclui monitorização rigorosa, acesso venoso e, fundamentalmente, a redução controlada da pressão arterial com agentes intravenosos de ação rápida. A meta é reduzir a pressão arterial média em 10-25% na primeira hora, com o objetivo de atingir 160/100 mmHg nas próximas horas. A intubação e o uso de anticonvulsivantes como fenitoína são reservados para casos específicos de refratariedade ou comprometimento grave da via aérea, não sendo a conduta inicial para todos os pacientes com crise convulsiva de origem hipertensiva.
Caracteriza-se por elevação grave da pressão arterial (geralmente PAS > 180 mmHg ou PAD > 120 mmHg) associada a lesão aguda de órgão-alvo, como encefalopatia, edema agudo de pulmão, dissecção aórtica ou infarto agudo do miocárdio.
Ele permite identificar sinais de retinopatia hipertensiva, como hemorragias, exsudatos e, principalmente, papiledema, que indica aumento da pressão intracraniana e é um sinal de encefalopatia hipertensiva, guiando a urgência do tratamento.
A pressão arterial média deve ser reduzida em cerca de 10-25% na primeira hora, e então gradualmente para 160/100 mmHg nas próximas 2-6 horas, para evitar hipoperfusão cerebral e lesão isquêmica.
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