Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Homem, 44 anos, hipertenso de longa data, em uso irregular da medicação anti-hipertensiva, apresenta cefaleia, visão turva e mal-estar geral há 24 horas. Exame físico: PA = 225 x 124 mmHg, FC = 100 bpm, fundo de olho com hemorragias e exsudatos algodonosos bilateralmente, estreitamento arteriolar, sem papiledema. Creatinina sérica = 2,7 mg/dL. Urina I: proteínas +/4+, leucócitos = 10.000/mL e hemácias = 12.000/mL. A conduta inicial é:
Emergência hipertensiva com lesão de órgão-alvo (retinopatia, IRA) → Redução gradual da PA com agentes parenterais para evitar hipoperfusão.
O paciente apresenta uma emergência hipertensiva com evidências de lesão de órgão-alvo (retinopatia e injúria renal aguda), o que exige redução imediata, mas controlada, da pressão arterial com medicação parenteral. A redução abrupta pode levar à isquemia cerebral ou cardíaca, enquanto a ausência de papiledema não exclui a gravidade do quadro.
Emergências hipertensivas são condições clínicas graves caracterizadas por elevação acentuada da pressão arterial (PA > 180/120 mmHg) associada a lesão aguda e progressiva de órgãos-alvo, como cérebro, coração, rins ou retina. A prevalência é significativa, especialmente em pacientes com hipertensão mal controlada, e seu reconhecimento e manejo adequados são cruciais para prevenir morbidade e mortalidade. O caso apresentado ilustra uma emergência hipertensiva com retinopatia e injúria renal aguda, exigindo intervenção imediata. A fisiopatologia envolve um aumento súbito da resistência vascular sistêmica, levando à disfunção endotelial, ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona e liberação de catecolaminas, resultando em vasoconstrição e dano microvascular. O diagnóstico é clínico, baseado na medida da PA e na identificação de sinais e sintomas de lesão de órgão-alvo. O fundo de olho é um exame essencial, revelando hemorragias, exsudatos algodonosos e, em casos mais graves, papiledema. A avaliação da função renal e urinálise também são fundamentais. O tratamento inicial visa a redução controlada da PA com agentes intravenosos, evitando quedas bruscas que poderiam comprometer a perfusão de órgãos vitais. A meta é reduzir a PA média em 10-25% na primeira hora, e então gradualmente nas horas seguintes. A escolha do agente (ex: labetalol, nicardipino, nitroprussiato) depende do perfil do paciente e do órgão-alvo afetado. O prognóstico está diretamente relacionado à rapidez e adequação do manejo, sendo um ponto crítico na formação de residentes.
Sinais de lesão de órgão-alvo incluem alterações neurológicas (cefaleia, confusão, convulsões), cardiovasculares (dor torácica, dispneia), renais (elevação de creatinina, proteinúria, hematúria) e oftalmológicas (retinopatia com hemorragias, exsudatos, papiledema).
A meta é reduzir a pressão arterial média em não mais que 10-25% na primeira hora, e então para 160/100-110 mmHg nas próximas 2-6 horas. Reduções mais rápidas podem causar hipoperfusão cerebral, cardíaca ou renal.
Vasodilatadores parenterais como nitroprussiato de sódio, nicardipino, labetalol ou esmolol são as escolhas iniciais. A seleção depende do órgão-alvo afetado e das comorbidades do paciente.
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