UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Mulher de 36 anos apresenta dispneia aos esforços há 2 meses com piora progressiva e, há 2 dias, relata cefaleia occipital ao acordar. EF: ortopneia, cianose discreta de extremidades, confusão mental leve, FC: 120 bpm, FR: 27 irpm, PA: 268 x 134 mmHg em MSE e 272 x 138 mmHg em MSD, ictus desviado para a esquerda, presença de quarta bulha, sopro sistólico 2+/4+ em foco mitral, crepitações finas em ambas as bases pulmonares, fundo de olho com borramento de papila, exsudatos e hemorragias.Em relação ao diagnóstico imediato e à conduta correta, trata-se de hipertensão
PA muito elevada + lesão de órgão-alvo (cérebro, coração, retina) = Emergência Hipertensiva → internação e vasodilatador IV.
A presença de lesão de órgão-alvo aguda, como encefalopatia (confusão, cefaleia), insuficiência cardíaca (dispneia, crepitações) e retinopatia grave (papiledema), associada a níveis pressóricos muito elevados, caracteriza uma emergência hipertensiva. O tratamento deve ser imediato com drogas intravenosas para redução controlada da PA.
A crise hipertensiva é definida por uma elevação súbita e severa da pressão arterial, geralmente com níveis de PA diastólica > 120 mmHg. Ela é classificada em duas categorias principais: urgência e emergência hipertensiva. A distinção entre as duas é crucial e baseia-se na presença ou ausência de lesão aguda de órgãos-alvo, e não apenas nos valores pressóricos. Uma emergência hipertensiva, como a descrita no caso, é caracterizada pela elevação pressórica acentuada acompanhada de disfunção aguda e progressiva de órgãos-alvo. Os órgãos mais comumente afetados são o cérebro (encefalopatia hipertensiva, AVC), o coração (edema agudo de pulmão, infarto do miocárdio, dissecção de aorta), os rins (insuficiência renal aguda) e a retina (retinopatia grau III/IV com hemorragias, exsudatos e papiledema). O termo 'hipertensão acelerada/maligna' refere-se a uma forma grave de emergência hipertensiva, classicamente associada à retinopatia grave e necrose fibrinoide das arteríolas. O manejo de uma emergência hipertensiva requer internação imediata, preferencialmente em unidade de terapia intensiva, para monitorização contínua e administração de anti-hipertensivos por via intravenosa. O objetivo não é normalizar a pressão rapidamente, mas sim reduzi-la de forma controlada para evitar hipoperfusão de órgãos vitais. A meta usual é diminuir a pressão arterial média em 10-20% na primeira hora. Fármacos como nitroprussiato de sódio, nitroglicerina, e labetalol são comumente utilizados, e a escolha depende do órgão-alvo acometido.
Os sinais incluem: neurológicos (cefaleia intensa, confusão, convulsões, déficit focal), cardíacos (dor torácica, dispneia, sinais de edema agudo de pulmão), renais (oligúria, hematúria, elevação da creatinina) e oftalmológicos (visão turva, papiledema, hemorragias retinianas).
A meta inicial é reduzir a Pressão Arterial Média (PAM) em 10-20% na primeira hora e mais 5-15% nas próximas 23 horas. Reduções muito rápidas devem ser evitadas para não causar hipoperfusão de órgãos vitais. Exceções incluem dissecção de aorta e eclâmpsia.
A diferenciação é clínica e não apenas baseada nos níveis pressóricos. A emergência hipertensiva apresenta lesão de órgão-alvo aguda e progressiva, exigindo tratamento hospitalar imediato com drogas IV. A urgência hipertensiva tem PA muito elevada, mas sem lesão de órgão-alvo aguda, podendo ser manejada com medicações orais e reavaliação em 24-48h.
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