Emergência Hipertensiva: Diagnóstico e Conduta Imediata

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023

Enunciado

Uma mulher de 60 anos, hipertensa, em uso irregular de medicamentos, é levada pelo filho ao pronto-socorro com história de ter começado a sentir, há 8 horas, cefaleia holocraniana intensa, apresentando náuseas e vômitos. Ela passou a ter confusão mental e, na última hora, está mais sonolenta. Ao exame físico, apresenta pressão arterial de 220 × 140 mmHg em ambos os membros superiores; está sonolenta, mas é responsiva ao chamado verbal. Percebe-se, também, que está desorientada no tempo e no espaço. Além disso, suas pupilas estão isocóricas e fotorreativas e ela não apresenta déficit motor ou sensitivo. Diante da hipótese diagnóstica mais provável, a conduta adequada é realizar uma 

Alternativas

  1. A) punção liquórica e prescrever betabloqueadores.
  2. B) tomografia de crânio e infundir nitroprussiato de sódio.
  3. C) tomografia de crânio imediata e administrar furosemida endovenosa. 
  4. D) ressonância magnética de crânio imediata e administrar ácido acetilsalicílico.

Pérola Clínica

Emergência hipertensiva com sintomas neurológicos → TC crânio imediata + anti-hipertensivo IV (ex: nitroprussiato).

Resumo-Chave

Em pacientes com crise hipertensiva e sintomas neurológicos agudos (cefaleia intensa, confusão, sonolência), a principal preocupação é a encefalopatia hipertensiva ou um evento cerebrovascular. A tomografia de crânio é essencial para descartar hemorragia intracraniana antes de iniciar o manejo agressivo da pressão arterial com drogas intravenosas.

Contexto Educacional

Emergências hipertensivas são condições clínicas graves caracterizadas por elevação acentuada da pressão arterial (geralmente PA sistólica >180 mmHg ou diastólica >120 mmHg) associada a lesão aguda de órgão-alvo. A encefalopatia hipertensiva é uma forma de emergência hipertensiva que se manifesta com sintomas neurológicos como cefaleia, confusão mental, náuseas, vômitos e, em casos graves, convulsões ou coma. É crucial reconhecer rapidamente essa condição para evitar danos neurológicos permanentes ou morte. A prevalência é maior em pacientes com hipertensão mal controlada ou em uso irregular de medicamentos, como no caso apresentado. A fisiopatologia da encefalopatia hipertensiva envolve a falha da autorregulação cerebral, levando à hiperperfusão e edema cerebral. O diagnóstico é clínico, mas a tomografia de crânio é fundamental para excluir outras causas de sintomas neurológicos, como AVC hemorrágico ou isquêmico, que podem ter apresentações semelhantes. A ausência de déficits focais e pupilas isocóricas e fotorreativas, como descrito no caso, sugere encefalopatia, mas a imagem é indispensável para a exclusão de outras patologias. A conduta imediata após a confirmação ou exclusão de outras causas é a redução controlada da pressão arterial com agentes intravenosos. O tratamento da emergência hipertensiva com encefalopatia visa reduzir a pressão arterial média em 20-25% na primeira hora, utilizando medicamentos de ação rápida e curta duração, como o nitroprussiato de sódio, labetalol ou nicardipino. A redução excessivamente rápida ou agressiva da PA pode levar à hipoperfusão cerebral e isquemia. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e da eficácia do controle pressórico, sendo que a recuperação neurológica é geralmente completa se o tratamento for instituído precocemente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de uma emergência hipertensiva com acometimento neurológico?

Os sinais incluem cefaleia intensa, náuseas, vômitos, confusão mental, sonolência, déficits neurológicos focais ou convulsões, em um contexto de pressão arterial muito elevada (geralmente >180/120 mmHg). Esses sintomas indicam disfunção de órgão-alvo, como o cérebro.

Por que a tomografia de crânio é a primeira conduta na suspeita de encefalopatia hipertensiva?

A tomografia de crânio é crucial para descartar outras causas de sintomas neurológicos em um paciente hipertenso, como acidente vascular cerebral hemorrágico ou isquêmico, antes de iniciar o tratamento anti-hipertensivo agressivo. A presença de hemorragia alteraria significativamente a estratégia de manejo da pressão arterial.

Qual o objetivo do tratamento farmacológico na emergência hipertensiva e qual droga é indicada?

O objetivo é reduzir a pressão arterial média em cerca de 20-25% na primeira hora, para prevenir danos adicionais aos órgãos-alvo, sem causar hipoperfusão. O nitroprussiato de sódio é uma droga de escolha devido ao seu rápido início e curta duração de ação, permitindo um controle preciso da pressão arterial.

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