Edema Agudo de Pulmão Hipertensivo: Manejo na Emergência

HFASP - Hospital de Força Aérea de São Paulo — Prova 2021

Enunciado

O Sr. Eugênio tem 72 anos e já sofreu dois infartos do miocárdio, tendo sido submetido à cirurgia de revascularização 5 anos atrás. Ele chega ao Pronto Socorro extremamente dispneico, não conseguindo nem responder às perguntas do médico. Sua família relata que ele estava razoavelmente bem na véspera, com discreto edema de tornozelos e cansaço ao subir escadas. Hoje ao acordar, começou a queixar-se de cansaço, que evoluiu rapidamente. À entrada: PA 210x116mmHg, FC 112bpm, FR 36ipm, SatO2 em ar ambiente de 87%. Sobre essa crise hipertensiva, pode-se afirmar que:

Alternativas

  1. A) A lesão pulmonar confere risco elevado de morte, e deve ser tratada com nitrato e furosemida, além de ventilação com pressão positiva.
  2. B) Pelo fato de a pressão diastólica estar abaixo de 120mmHg, trata-se de uma urgência hipertensiva e ele deve ser tratado com medicamento via oral.
  3. C) Trata-se de uma emergência hipertensiva, que deve ser tratada com medicamento endovenoso e investigação imediata de hipertensão secundária.
  4. D) Por tratar-se de edema agudo pulmonar, o paciente deve receber broncodilatadores endovenosos e sua pressão deve ser reduzida para 120x75mmHg na primeira hora.

Pérola Clínica

EAP hipertensivo → emergência hipertensiva com lesão de órgão-alvo (pulmão) → nitrato, furosemida, ventilação.

Resumo-Chave

O paciente apresenta um quadro de edema agudo de pulmão (EAP) desencadeado por uma crise hipertensiva, caracterizando uma emergência hipertensiva. A prioridade é reduzir a pré e pós-carga cardíaca, melhorar a oxigenação e controlar a pressão arterial rapidamente, mas de forma segura, para evitar lesão isquêmica.

Contexto Educacional

O Edema Agudo de Pulmão (EAP) hipertensivo é uma emergência médica grave, caracterizada por acúmulo rápido de líquido nos alvéolos pulmonares devido à falência ventricular esquerda aguda, frequentemente precipitada por uma crise hipertensiva. Pacientes com histórico de doença cardíaca isquêmica, como o Sr. Eugênio, são particularmente vulneráveis. A rápida deterioração clínica e a hipoxemia grave indicam a necessidade de intervenção imediata. A fisiopatologia envolve um aumento abrupto da pós-carga ventricular esquerda devido à hipertensão, levando à disfunção diastólica e sistólica, elevação das pressões de enchimento e transudação de fluido para o interstício e alvéolos pulmonares. O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas e sinais de insuficiência respiratória e congestão pulmonar, associados à hipertensão arterial. O tratamento visa reduzir a pré e pós-carga, melhorar a oxigenação e controlar a pressão arterial. Nitratos intravenosos (como nitroglicerina) são potentes vasodilatadores que reduzem a pré-carga e a pós-carga. A furosemida intravenosa é um diurético de alça que promove diurese e venodilatação. A ventilação com pressão positiva (CPAP ou BiPAP) é crucial para melhorar a oxigenação, recrutar alvéolos colapsados e reduzir o trabalho respiratório, além de diminuir o retorno venoso e a pós-carga.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de edema agudo de pulmão hipertensivo?

Os sinais incluem dispneia intensa, taquipneia, ortopneia, tosse com expectoração rósea, estertores crepitantes difusos à ausculta pulmonar e hipertensão arterial grave.

Qual a conduta inicial para um paciente com EAP hipertensivo?

A conduta inicial envolve oxigenoterapia, ventilação com pressão positiva (CPAP/BiPAP), vasodilatadores (nitratos IV) para reduzir pré e pós-carga, e diuréticos de alça (furosemida IV) para reduzir a congestão pulmonar.

Por que a ventilação com pressão positiva é importante no EAP?

A ventilação com pressão positiva (CPAP ou BiPAP) melhora a oxigenação, reduz o trabalho respiratório, diminui o retorno venoso e a pós-carga do ventrículo esquerdo, contribuindo para a resolução do edema pulmonar.

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