PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2023
Um homem de 75 anos é admitido no pronto atendimento. Tabagista prévio, nega outras comorbidades. Apresenta um quadro de dispneia expectoração hemoptoica. Ele está hipoxêmico com uma paO2 de 52 mmHg em 15 L/min de oxigênio. A ausculta pulmonar revela crepitação difusa e uma radiografia de tórax mostra infiltrados pulmonares difusos. Sua pressão arterial é de 210/132 mmHg. A conduta quanto ao quadro hipertensivo deve ser
Emergência Hipertensiva → Redução da PAM em até 25% na 1ª hora com medicação IV.
No edema agudo de pulmão hipertensivo, o objetivo é reduzir a pós-carga rapidamente. O nitroprussiato é ideal pela ação potente e imediata, respeitando o limite de 25% para evitar hipoperfusão.
As emergências hipertensivas são caracterizadas por elevação acentuada da PA acompanhada de lesão de órgão-alvo aguda ou progressiva. O caso clínico descreve um edema agudo de pulmão (EAP) de origem hipertensiva, evidenciado por dispneia, hemoptise, hipoxemia e infiltrado bilateral. O tratamento deve ser instituído em ambiente de terapia intensiva com monitorização contínua. O uso de anti-hipertensivos orais é contraindicado na fase aguda devido à imprevisibilidade da absorção e impossibilidade de titulação rápida. O foco é a estabilização hemodinâmica e respiratória, frequentemente associando diuréticos de alça IV e suporte ventilatório (VNI) à terapia vasodilatadora parenteral.
A regra geral para a maioria das emergências hipertensivas é reduzir a Pressão Arterial Média (PAM) em no máximo 20% a 25% na primeira hora de tratamento. Reduções mais drásticas podem comprometer a autorregulação do fluxo sanguíneo em órgãos vitais como cérebro e rins. Exceções a essa regra incluem a dissecção aguda de aorta (onde a meta é PAS < 120 mmHg em 20 min) e o AVC isquêmico candidato a trombólise.
O nitroprussiato de sódio é um potente vasodilatador arterial e venoso (ação mista). No edema agudo de pulmão, ele reduz rapidamente a pré-carga (venodilatação) e a pós-carga (arteriodilatação), facilitando o esvaziamento ventricular esquerdo e diminuindo a congestão pulmonar. Sua meia-vida curtíssima permite um ajuste fino e imediato da dose conforme a resposta pressórica do paciente, sendo superior aos agentes orais.
A nitroglicerina é preferida em casos de Síndrome Coronariana Aguda, pois promove vasodilatação coronariana e não causa o fenômeno de 'roubo de fluxo', que pode ocorrer com o nitroprussiato. No entanto, no edema agudo de pulmão com hipertensão severa, o nitroprussiato costuma ser mais eficaz na redução da pós-carga necessária para estabilizar o quadro hemodinâmico agudo.
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