USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025
Paciente, sexo masculino, 49 anos de idade, tabagista 40 anos-maço, tem hipertensão arterial sistêmica. Faz uso contínuo de amlodipino 5 mg uma vez ao dia. Comparece no departamento de emergência com queixa de dor torácica de forte intensidade iniciada há cerca de 30 minutos. Ao exame: PA de 182x104 mmHg, FC de 114 bpm, FR de 23 ipm, saturação de oxigênio 95% em ar ambiente; sem alterações cardiopulmonares; extremidades frias e sudoreicas. Foram realizados os seguintes exames complementares:Considerando a principal hipótese diagnóstica, indique o primeiro medicamento a ser administrado.
Emergência hipertensiva com dor torácica aguda (suspeita dissecção aórtica): Esmolol IV para ↓ FC e PA rapidamente.
Em um paciente com dor torácica aguda, hipertensão grave e taquicardia, a principal hipótese diagnóstica deve incluir uma síndrome aórtica aguda, como a dissecção de aorta. Nesses casos, a prioridade é a redução rápida da frequência cardíaca e da pressão arterial para diminuir o estresse de cisalhamento na parede aórtica, sendo os betabloqueadores intravenosos (como o esmolol) a primeira linha de tratamento.
Emergências hipertensivas são condições clínicas graves que exigem redução imediata da pressão arterial para prevenir ou limitar danos a órgãos-alvo. Dentre elas, a dissecção de aorta é uma das mais críticas, caracterizada por dor torácica aguda de forte intensidade, frequentemente associada a hipertensão e taquicardia. A rápida identificação e manejo são cruciais para a sobrevida do paciente, sendo um tema de alta relevância em provas de residência e na prática médica de emergência. A fisiopatologia da dissecção de aorta envolve a formação de uma falsa luz na parede da aorta devido à entrada de sangue através de uma ruptura intimal. O controle da frequência cardíaca e da pressão arterial é o pilar do tratamento inicial, visando reduzir o estresse de cisalhamento na parede aórtica. Betabloqueadores intravenosos, como o esmolol, são a primeira linha de escolha por sua ação rápida e controlável, diminuindo tanto a frequência cardíaca quanto a força de contração miocárdica. Após o controle da frequência cardíaca, outros agentes anti-hipertensivos podem ser adicionados para atingir a meta de pressão arterial. O uso de vasodilatadores puros sem prévio betabloqueio pode ser perigoso, pois a taquicardia reflexa pode agravar a dissecção. O diagnóstico diferencial inclui outras causas de dor torácica aguda, como infarto agudo do miocárdio e embolia pulmonar. A conduta rápida e correta é determinante para o prognóstico, e o conhecimento aprofundado desses protocolos é indispensável para o residente.
Os sinais de alerta incluem dor torácica súbita e intensa, frequentemente descrita como 'rasgando' ou 'dilacerante', que pode irradiar para as costas, além de assimetria de pulsos ou pressão arterial entre os membros, e sinais de má perfusão.
O esmolol é um betabloqueador de ação ultracurta que permite um controle rápido e preciso da frequência cardíaca e da pressão arterial, reduzindo o estresse de cisalhamento na parede aórtica e limitando a progressão da dissecção, sendo crucial para a estabilização inicial do paciente.
O objetivo principal é reduzir a frequência cardíaca para 60-70 bpm e a pressão arterial sistólica para 100-120 mmHg, desde que a perfusão orgânica seja mantida, minimizando a força de cisalhamento e o risco de ruptura da aorta.
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