Emergência Hipertensiva: Manejo da Crise com Lesão de Órgão-Alvo

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2025

Enunciado

Uma mulher de 54 anos de idade, diabética, hipertensa e dislipidêmica, em uso irregular de medicações, compareceu ao pronto‑socorro com cefaleia intensa, vômitos, náusea, turvação visual e escotomas. O acompanhante relatou que o quadro evoluiu paulatinamente durante os últimos dias, com piora importante no dia atual. Na admissão, foram notados os seguintes sinais vitais: FC 117 bpm; PA 210 x 145 mmHg; FR 21 irpm; e dextro 120.Considerando essa situação hipotética, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Deve ser iniciado nitroprussiato endovenoso e realizada tomografia computadorizada do crânio sem contraste, caso esteja sem lesão hemorrágica, procedido à trombólise química.
  2. B) Deve ser iniciado nitroprussiato endovenoso e realizada tomografia computadorizada do crânio sem contraste e, caso não seja encontrada lesão hemorrágica, proceder‑se‑á à trombectomia mecânica.
  3. C) Deve ser iniciado nitroprussiato endovenoso e realizada tomografia computadorizada de crânio sem contraste, dada a ausência de tempo hábil para trombólise química. Deve ser realizada, então, ressonância magnética de crânio para averiguar se ainda há região de penumbra para possível trombectomia.
  4. D) Deve ser iniciado nitroprussiato endovenoso, com possibilidade de reversão dos sintomas com a melhora dos controles pressóricos.
  5. E) Deve ser iniciado nitroprussiato endovenoso para evitar novo evento, porém os sintomas apresentados provavelmente se manterão.

Pérola Clínica

Crise hipertensiva com lesão de órgão-alvo (cefaleia, turvação visual) → Emergência hipertensiva = Redução imediata da PA com nitroprussiato IV.

Resumo-Chave

A paciente apresenta uma emergência hipertensiva, caracterizada por pressão arterial muito elevada (210 x 145 mmHg) associada a sintomas de lesão de órgão-alvo agudo (cefaleia intensa, turvação visual, escotomas), sugerindo encefalopatia hipertensiva. A conduta imediata é a redução controlada da PA com nitroprussiato de sódio intravenoso, com o objetivo de reverter os sintomas e prevenir danos maiores.

Contexto Educacional

Uma crise hipertensiva é definida por uma elevação súbita e grave da pressão arterial (PA sistólica > 180 mmHg ou PA diastólica > 120 mmHg). Ela se divide em urgência hipertensiva, quando não há evidência de lesão aguda de órgão-alvo, e emergência hipertensiva, quando há lesão aguda e progressiva de órgãos-alvo (cérebro, coração, rins, retina). A distinção é crucial, pois a emergência hipertensiva requer redução imediata da PA por via intravenosa. No caso apresentado, a paciente com PA de 210 x 145 mmHg, cefaleia intensa, vômitos, náusea, turvação visual e escotomas, apresenta um quadro clássico de emergência hipertensiva, com forte suspeita de encefalopatia hipertensiva. A presença de sintomas neurológicos e visuais indica comprometimento de órgãos-alvo. O tratamento visa a redução controlada da pressão arterial para prevenir danos irreversíveis e reverter os sintomas. O nitroprussiato de sódio é um dos fármacos de escolha para emergências hipertensivas devido ao seu rápido início de ação, curta duração e titulação precisa por via intravenosa. O objetivo é reduzir a pressão arterial média em 10-25% na primeira hora, e então gradualmente para níveis mais seguros. A reversão dos sintomas é esperada com a melhora do controle pressórico. Outras opções incluem labetalol, nicardipino e hidralazina, dependendo da condição clínica específica e da presença de comorbidades. A trombólise ou trombectomia mecânica seriam consideradas apenas se houvesse um AVC isquêmico confirmado, o que não é o foco principal da apresentação inicial de encefalopatia hipertensiva.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de lesão de órgão-alvo em uma emergência hipertensiva?

Sinais e sintomas de lesão de órgão-alvo incluem cefaleia intensa, turvação visual, escotomas, alterações do estado mental (encefalopatia hipertensiva), dor torácica (síndrome coronariana aguda), dispneia (edema agudo de pulmão) e déficits neurológicos focais (AVC).

Qual o objetivo do tratamento inicial em uma emergência hipertensiva?

O objetivo do tratamento inicial é reduzir a pressão arterial média em 10-25% na primeira hora, e então gradualmente para 160/100-110 mmHg nas próximas 2-6 horas, para prevenir danos adicionais aos órgãos-alvo, sem causar hipoperfusão.

Por que o nitroprussiato de sódio é uma boa opção para emergências hipertensivas?

O nitroprussiato de sódio é um vasodilatador potente de ação rápida e curta duração, administrado por via intravenosa, que permite um controle preciso da pressão arterial. É eficaz na redução rápida da PA em diversas emergências hipertensivas, incluindo encefalopatia hipertensiva.

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