INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024
Uma mulher de 42 anos é levada por familiares à emergência apresentando estado confusional e elevação importante da pressão arterial. Os familiares relatam que ela começou, recentemente, tratamento para hipertensão e que, nos últimos dias, tem se queixado de palpitações, cefaleia e sensação de cabeça leve. Atualmente, está utilizando metoprolol em substituição à clonidina, além de hidroclorotiazida e enalapril. Ao exame físico, apresenta-se agitada, confusa, com pupilas dilatadas e edema papilar, ela está sudoreica, com as extremidades apresentando discreto tremor e pulsos periféricos amplos, pressão arterial de 230 × 150 mmHg, frequência cardíaca de 115 batimentos por minuto e saturação de oxigênio de 89%. Realizada tomografia de crânio e coleta de líquor, cujos resultados não apresentaram evidências de hemorragia intracraniana ou de infecção. O resultado da pesquisa de drogas na urina foi negativo.Diante desse quadro, a conduta imediata mais adequada para essa paciente é
Retirada abrupta de clonidina → crise hipertensiva com hiperatividade simpática → Nitroprussiato de sódio IV.
A retirada abrupta de clonidina pode causar uma crise hipertensiva de rebote devido à hiperatividade simpática. A paciente apresenta sinais de emergência hipertensiva (PA muito elevada, edema papilar, estado confusional), exigindo redução imediata da PA com anti-hipertensivos intravenosos, como o nitroprussiato de sódio.
A emergência hipertensiva é uma condição grave caracterizada por elevação acentuada da pressão arterial (geralmente PA sistólica > 180 mmHg ou diastólica > 120 mmHg) associada a lesão aguda de órgão-alvo. A síndrome de abstinência de clonidina é uma causa clássica de emergência hipertensiva, ocorrendo pela interrupção abrupta do medicamento, que é um agonista alfa-2 adrenérgico central, levando a uma hiperatividade simpática de rebote. O quadro clínico é marcado por hipertensão grave, taquicardia, agitação, sudorese e, como no caso, sinais de encefalopatia hipertensiva (estado confusional, edema papilar). O diagnóstico diferencial inclui feocromocitoma e uso de drogas ilícitas, mas a história de interrupção da clonidina é chave. A conduta imediata visa a redução controlada da pressão arterial com agentes intravenosos de ação rápida e curta duração. O nitroprussiato de sódio é uma excelente escolha, pois permite um ajuste fino da PA. É crucial monitorar o paciente em ambiente de terapia intensiva para evitar a redução excessiva da PA, que pode levar à isquemia de órgãos.
Os sintomas incluem hipertensão rebote grave, taquicardia, palpitações, cefaleia, tremores, sudorese, agitação, ansiedade e, em casos graves, encefalopatia hipertensiva e convulsões, devido à hiperatividade simpática.
O nitroprussiato de sódio é um vasodilatador potente de ação rápida e curta duração, permitindo um controle preciso da pressão arterial em situações de emergência hipertensiva, como a encefalopatia, onde a titulação fina é crucial.
O objetivo é reduzir a pressão arterial média em não mais que 25% na primeira hora, e então para 160/100-110 mmHg nas próximas 2-6 horas, para evitar hipoperfusão cerebral e renal, enquanto se protege os órgãos-alvo.
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