INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022
Um homem com 64 anos de idade chega ao serviço de emergência, conduzido pelos familiares, por confusão mental e sonolência. O paciente tem história de hipertensão arterial sistêmica com difícil controle. Ao exame, apresenta edema de papila ao fundo de olho, pressão arterial (PA) de 220 x 130 mmHg, presença de 4ª bulha na ausculta cardíaca. O restante do exame físico não apresenta alterações. A tomografia de crânio sem contraste não evidenciou sinais de isquemia cerebral. O tratamento de primeira escolha a ser proposto para esse paciente é iniciar
Emergência hipertensiva (PA alta + lesão órgão-alvo) → Nitroprussiato EV, reduzir PA 25% em 2h.
O paciente apresenta uma emergência hipertensiva, caracterizada por PA muito elevada (220x130 mmHg) e evidência de lesão de órgão-alvo (confusão mental, sonolência, edema de papila, 4ª bulha). Nesses casos, a redução controlada da PA é crucial para evitar danos maiores, sendo o nitroprussiato de sódio uma droga de escolha pela sua rápida ação e titulação.
Uma emergência hipertensiva é definida como uma elevação grave da pressão arterial (geralmente PA sistólica > 180 mmHg ou PA diastólica > 120 mmHg) associada a evidências de lesão aguda e progressiva de órgão-alvo. Esta condição é uma urgência médica que exige intervenção imediata para prevenir danos irreversíveis. A prevalência de hipertensão arterial sistêmica é alta, e o controle inadequado pode levar a essas crises, que são mais comuns em pacientes com histórico de hipertensão mal controlada. A fisiopatologia envolve um aumento súbito da resistência vascular periférica, levando a um ciclo vicioso de lesão endotelial, ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona e liberação de vasoconstritores. No caso apresentado, a confusão mental, sonolência e edema de papila indicam encefalopatia hipertensiva, uma forma de lesão cerebral. A presença de 4ª bulha sugere hipertrofia ventricular esquerda, um sinal de cronicidade da hipertensão. A tomografia de crânio sem sinais de isquemia ajuda a descartar AVC isquêmico agudo como causa primária, reforçando o diagnóstico de encefalopatia hipertensiva. O tratamento de primeira escolha para a maioria das emergências hipertensivas, especialmente com envolvimento neurológico, é a administração de agentes anti-hipertensivos endovenosos de ação rápida e titulável. O nitroprussiato de sódio é frequentemente escolhido por sua capacidade de reduzir rapidamente a PA. O objetivo é uma redução controlada, geralmente de 10-25% da PA média nas primeiras horas, para evitar hipoperfusão cerebral e outros órgãos. A nitroglicerina é mais indicada para emergências hipertensivas associadas à isquemia miocárdica ou edema pulmonar agudo, enquanto a clonidina e o captopril oral/sublingual são mais utilizados em urgências hipertensivas (sem lesão de órgão-alvo) ou no manejo crônico.
Sinais de lesão de órgão-alvo incluem alterações neurológicas (confusão, sonolência, déficits focais, edema de papila), dor torácica ou dispneia (isquemia miocárdica, edema pulmonar), e alterações renais (hematúria, proteinúria, insuficiência renal aguda).
O objetivo é reduzir a pressão arterial média em até 25% na primeira hora, e para cerca de 160/100-110 mmHg nas próximas 2-6 horas, evitando quedas abruptas que possam comprometer a perfusão de órgãos vitais.
O nitroprussiato é um potente vasodilatador arterial e venoso de ação ultrarrápida e curta duração, permitindo uma titulação precisa e um controle rápido da pressão arterial, sendo ideal para situações que exigem ajuste fino.
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