UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2015
João, 72 anos, hipertenso de longa data, em uso irregular de medicação, traz seu amigo Carlos à unidade de saúde da família onde é cadastrado. Carlos, 70 anos, apresenta náuseas, tonteira, cefaleia intensa, dificuldade de fala, fraqueza em dimídio direito e PA = 170 x 106 mmHg. Enquanto Carlos é consultado, a enfermeira avalia João. Ela relata ao médico que ele está assintomático, apesar de a sua PA estar 180 x 110 mmHg. Sobre as impressões diagnósticas e condutas relacionadas a esses pacientes, é CORRETO afirmar que:
Emergência hipertensiva = PA ↑ + lesão órgão-alvo. Urgência hipertensiva = PA ↑ sem lesão órgão-alvo.
A diferenciação entre urgência e emergência hipertensiva é crucial para a conduta. A presença de lesão de órgão-alvo (como neurológica em Carlos) define uma emergência, exigindo redução rápida da PA e tratamento parenteral, enquanto a elevação assintomática (João) é uma urgência, permitindo redução gradual com medicação oral.
Crises hipertensivas são elevações graves da pressão arterial que podem ser classificadas como urgências ou emergências hipertensivas, dependendo da presença de lesão aguda de órgão-alvo. Essa diferenciação é crucial, pois determina a gravidade do quadro, o local de tratamento e a velocidade da redução da pressão arterial, sendo um tópico de alta relevância na prática clínica e em provas de residência. Uma emergência hipertensiva é definida por uma elevação acentuada da pressão arterial (geralmente PA > 180/120 mmHg) associada a evidências de lesão aguda e progressiva de órgãos-alvo, como cérebro (AVC, encefalopatia), coração (infarto agudo do miocárdio, edema agudo de pulmão), rins (insuficiência renal aguda) ou retina. Nesses casos, a redução da PA deve ser rápida, mas controlada, geralmente com medicamentos intravenosos em ambiente hospitalar, como uma UPA ou UTI. Por outro lado, uma urgência hipertensiva é caracterizada por uma elevação grave da PA sem evidência de lesão aguda de órgão-alvo. Nesses pacientes, a redução da pressão pode ser mais gradual, utilizando medicamentos orais, e o manejo pode ser feito ambulatorialmente ou em unidades de saúde da família, com acompanhamento próximo. O paciente João, assintomático, apresentava uma urgência, enquanto Carlos, com sintomas neurológicos, estava em emergência hipertensiva.
A principal diferença é a presença de lesão aguda de órgão-alvo. Na emergência hipertensiva, há lesão (ex: AVC, IAM, edema agudo de pulmão), exigindo redução rápida da PA. Na urgência, não há lesão, e a redução pode ser gradual.
Sinais incluem alterações neurológicas (cefaleia intensa, déficits focais, convulsões), cardíacas (dor torácica, dispneia), renais (hematúria, oligúria) e visuais (borramento, papiledema).
O paciente deve ser internado, preferencialmente em UTI, para monitorização contínua e administração de anti-hipertensivos parenterais, visando uma redução controlada da PA para evitar hipoperfusão de órgãos.
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