Emergência Hipertensiva e PRES: Manejo e Fármacos IV

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2021

Enunciado

Uma mulher de 48 anos de idade é trazida por familiares à unidade de emergência de hospital de alta complexidade com quadro de confusão mental, cefaleia e amaurose bilateral. Segundo familiares, a paciente é portadora de hipertensão arterial sistêmica há 2 anos, vindo em investigação diagnóstica por ser classificada como hipertensão arterial resistente. Nas últimas 2 semanas, a paciente passou a não tomar seus fármacos anti-hipertensivos, em razão de acreditar que o tratamento não estava mais funcionando. Na véspera, a paciente começou a se queixar de cefaleia holocraniana, pouco responsiva a fármacos, além de turvação visual. No dia de hoje, a paciente tornou-se um pouco confusa e começou a se queixar de que não estava conseguindo enxergar nada, razão porque foi trazida, às pressas, à unidade de emergência. Ao exame físico, a paciente mostra-se confusa, sonolenta, atendendo com dificuldade a algumas solicitações verbais. Sua pressão arterial (PA) encontra-se em 240 x 160 mmHg em ambos os membros superiores, enquanto a frequência cardíaca é de 96 bpm. Um sopro é auscultado no flanco direito de seu abdome. Iniciado tratamento anti-hipertensivo intravenoso, a paciente é submetida a uma tomografia computadorizada de crânio em que foram detectadas áreas hipodensas em regiões occipitais. A paciente é, então, encaminhada para realização de uma ressonância magnética de encéfalo que, na imagem pesada em T2, revela a presença de hiperintensidade de sinal nos lobos occipitais, sem limites muito bem definidos. Instituído o tratamento indicado, a paciente evolui com regressão completa dos déficits neurológicos previamente descritos. Acerca do tratamento da paciente em questão, pode-se afirmar que 

Alternativas

  1. A) o alvo terapêutico no caso seria a normalização da pressão arterial em, no máximo, 2 horas. 
  2. B) após compensação clínica, seria fundamental ressecar o tumor adrenal secretor presente à direita. 
  3. C) nicardipina e labetalol por via intravenosa seriam excelentes escolhas farmacológicas para a redução da PA da paciente. 
  4. D) em razão da presença de trombose da artéria basilar, deveria ser adicionada anticoagulação plena com heparina de baixo peso molecular.

Pérola Clínica

Emergência hipertensiva com encefalopatia/amaurose → PRES. Reduzir PA gradualmente (25% na 1ª hora) com IV (nicardipina, labetalol).

Resumo-Chave

O quadro de confusão mental, cefaleia, amaurose bilateral e lesões occipitais reversíveis na RM em um contexto de emergência hipertensiva é altamente sugestivo de Síndrome de Encefalopatia Posterior Reversível (PRES). A presença de sopro em flanco direito sugere hipertensão renovascular como causa subjacente.

Contexto Educacional

Emergências hipertensivas são condições graves caracterizadas por elevação acentuada da pressão arterial (PA > 180/120 mmHg) associada a lesão aguda de órgão-alvo. O caso descrito, com confusão mental, cefaleia e amaurose bilateral, além de alterações na neuroimagem, é altamente sugestivo de encefalopatia hipertensiva e Síndrome de Encefalopatia Posterior Reversível (PRES), uma manifestação grave da crise hipertensiva. A hipertensão arterial resistente e o sopro em flanco direito levantam a suspeita de hipertensão renovascular. A PRES é caracterizada por edema vasogênico, predominantemente nos lobos occipitais, devido à disfunção da autorregulação cerebrovascular em resposta à hipertensão grave. Os achados de hipodensidade na TC e hiperintensidade em T2 na RM são típicos. A reversibilidade dos déficits neurológicos com o controle da PA é uma característica fundamental da síndrome. O tratamento de uma emergência hipertensiva com PRES exige uma redução controlada da pressão arterial. O objetivo é diminuir a PA média em cerca de 20-25% na primeira hora, evitando reduções abruptas que possam causar isquemia. Fármacos intravenosos como nicardipina e labetalol são excelentes escolhas devido à sua ação rápida e titulabilidade, permitindo um controle preciso da PA e minimizando riscos.

Perguntas Frequentes

O que é a Síndrome de Encefalopatia Posterior Reversível (PRES)?

PRES é uma condição neurológica aguda caracterizada por cefaleia, alterações visuais (incluindo amaurose), convulsões e estado mental alterado, associada a edema vasogênico reversível nas regiões posteriores do cérebro, geralmente em contexto de hipertensão grave.

Qual o objetivo da redução da PA em uma emergência hipertensiva com PRES?

O objetivo é reduzir a pressão arterial média em cerca de 20-25% na primeira hora, e então gradualmente para níveis seguros nas próximas 24-48 horas, para evitar hipoperfusão, mas controlar o edema cerebral e prevenir danos adicionais.

Quais fármacos são indicados para o tratamento da emergência hipertensiva?

Fármacos intravenosos de ação rápida e tituláveis são preferíveis, como nicardipina, labetalol, esmolol, nitroprussiato de sódio ou hidralazina, dependendo da apresentação clínica e comorbidades do paciente.

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