IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2020
Mulher de 47 anos de idade apresenta quadro de cefaleia há 1 dia. Familiar relata que a paciente apresentou episódios de confusão e evoluiu com duas crises convulsivas há cerca de 1 hora. Exame físico: PA: 238 x 172 mmHg; FC: 72bpm; T: 36,3 °C; cardiopulmonar: sem alteração; neurológico: escala de Glasgow: 13 (sonolenta e confusa); motricidade ocular extrínseca e pupilas normais; não há sinais de irritação meníngea ou deficit motor. Glicemia capilar: 95mg/dL. Nesse momento, é correto:
Emergência hipertensiva com sintomas neurológicos → TC crânio imediata + anti-hipertensivo IV (nitroprussiato/labetalol).
A paciente apresenta uma emergência hipertensiva com comprometimento de órgão-alvo (SNC), manifestado por cefaleia, confusão e crises convulsivas. A prioridade é a redução imediata e controlada da pressão arterial com agentes intravenosos e a realização de neuroimagem urgente para descartar ou confirmar causas como AVC hemorrágico ou encefalopatia hipertensiva.
Emergências hipertensivas são condições clínicas graves caracterizadas por elevações acentuadas da pressão arterial (geralmente PA sistólica > 180 mmHg e/ou diastólica > 120 mmHg) associadas a lesão aguda de órgão-alvo. O sistema nervoso central é um dos órgãos mais frequentemente afetados, manifestando-se como encefalopatia hipertensiva, AVC isquêmico ou hemorrágico. A rápida identificação e manejo são cruciais para prevenir morbidade e mortalidade permanentes. A fisiopatologia envolve a falha dos mecanismos de autorregulação cerebral, levando a hiperperfusão e edema cerebral (encefalopatia hipertensiva) ou a ruptura de vasos sanguíneos (AVC hemorrágico). O diagnóstico é clínico, baseado na presença de hipertensão grave e sintomas neurológicos agudos. A tomografia de crânio é o exame de imagem de escolha na emergência para diferenciar entre as diversas causas de lesão neurológica, pois o manejo da pressão arterial difere significativamente. Por exemplo, em AVC isquêmico, a redução da PA é mais gradual para preservar a perfusão da área de penumbra, enquanto em encefalopatia hipertensiva, a redução é mais rápida. O tratamento visa a redução controlada da pressão arterial com agentes intravenosos de ação rápida e tituláveis, como nitroprussiato de sódio, labetalol ou nicardipina. O objetivo é reduzir a PA média em 20-25% na primeira hora, evitando quedas bruscas que possam comprometer a perfusão cerebral. Após a estabilização inicial e a exclusão de hemorragia, a PA pode ser ajustada para metas mais específicas dependendo da condição subjacente. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e da eficácia do tratamento na prevenção de danos irreversíveis.
Sinais de emergência hipertensiva com comprometimento neurológico incluem cefaleia intensa, confusão mental, alteração do nível de consciência, crises convulsivas, déficits neurológicos focais e, em casos graves, papiledema. A pressão arterial geralmente está muito elevada (PA sistólica > 180 mmHg ou diastólica > 120 mmHg).
A tomografia de crânio é essencial para diferenciar a causa do comprometimento neurológico, como AVC isquêmico, AVC hemorrágico, hemorragia subaracnoidea ou encefalopatia hipertensiva. Essa diferenciação é crítica, pois o manejo da pressão arterial e outras terapias variam significativamente entre essas condições.
Agentes intravenosos de ação rápida e tituláveis são preferidos, como nitroprussiato de sódio, labetalol, nicardipina ou clevidipina. A escolha e o alvo pressórico dependem da etiologia subjacente (ex: AVC hemorrágico vs. encefalopatia hipertensiva) e devem ser guiados por protocolos específicos.
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