Emergência Hipertensiva: Reconhecimento e Conduta Inicial

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024

Enunciado

Um homem com 55 anos é levado pelo filho a uma unidade básica de saúde com quadro agudo de dor torácica, dispneia e alteração do nível de consciência. O paciente já estava, anteriormente, em acompanhamento de hipertensão arterial sistêmica (HAS). Ao aferir sua pressão arterial, a medida encontrada foi de 190 x 120 mmHg. Diante desse quadro, o médico deve

Alternativas

  1. A) medicar o paciente com o objetivo de reduzir a pressão arterial no período de 24 a 48 horas e dar seguimento ambulatorial.
  2. B) administrar anti-hipertensivo oral, encaminhar o paciente para a sala de observação e aguardar a redução dos níveis pressóricos.
  3. C) avaliar a adesão ao tratamento de HAS e, se necessário, introduzir um novo tratamento medicamentoso ou adequar o tratamento atual.
  4. D) monitorar pressão arterial, frequência cardíaca e saturação de oxigênio, ministrar 300 mg de ácido acetilsalicílico e encaminhar o paciente para o serviço de urgência imediatamente.

Pérola Clínica

Crise hipertensiva + dor torácica/dispneia/alt. consciência → Emergência hipertensiva, estabilizar e encaminhar URGENTE.

Resumo-Chave

O paciente apresenta uma emergência hipertensiva, com PA elevada e evidências de lesão de órgão-alvo (dor torácica, dispneia, alteração de consciência). A conduta imediata é estabilizar (monitorização, AAS se suspeita cardíaca) e encaminhar para serviço de urgência para tratamento agressivo e diagnóstico etiológico.

Contexto Educacional

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma condição crônica comum, mas sua descompensação pode levar a crises hipertensivas. As crises hipertensivas são classificadas em urgências e emergências. Uma emergência hipertensiva é definida por uma elevação grave da pressão arterial (geralmente PA sistólica > 180 mmHg ou diastólica > 120 mmHg) associada a evidências de lesão aguda e progressiva de órgãos-alvo, como cérebro (AVC, encefalopatia), coração (infarto, edema agudo de pulmão), rins (insuficiência renal aguda) ou retina. O paciente do caso apresenta PA de 190x120 mmHg, dor torácica, dispneia e alteração do nível de consciência, configurando uma emergência hipertensiva com provável lesão de múltiplos órgãos. Nesses casos, a conduta é de extrema urgência. O objetivo inicial não é normalizar a PA, mas reduzi-la de forma controlada (geralmente 25% na primeira hora) para evitar danos adicionais, sem causar hipoperfusão. A monitorização contínua de sinais vitais é fundamental. A administração de ácido acetilsalicílico (AAS) é apropriada devido à dor torácica, que sugere síndrome coronariana aguda, uma das manifestações de lesão de órgão-alvo. O paciente deve ser estabilizado e imediatamente encaminhado a um serviço de urgência/emergência para tratamento com anti-hipertensivos intravenosos e investigação diagnóstica aprofundada.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre urgência e emergência hipertensiva?

A emergência hipertensiva é caracterizada por pressão arterial muito elevada (geralmente >180/120 mmHg) com evidência de lesão aguda de órgão-alvo (coração, cérebro, rins). A urgência hipertensiva também tem PA elevada, mas sem lesão aguda de órgão-alvo, permitindo redução gradual da pressão.

Por que o ácido acetilsalicílico (AAS) é indicado neste cenário?

O AAS é indicado devido à dor torácica, que levanta a suspeita de síndrome coronariana aguda (infarto). Em emergências hipertensivas com suspeita de isquemia miocárdica, o AAS é uma medida inicial importante antes do encaminhamento.

Quais são os objetivos da redução da pressão arterial em uma emergência hipertensiva?

O objetivo é reduzir a pressão arterial em cerca de 25% na primeira hora para prevenir danos adicionais aos órgãos-alvo, mas de forma controlada para evitar hipoperfusão. O tratamento é geralmente intravenoso e realizado em ambiente de terapia intensiva.

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