Ressecção Hepática: Estratégias para Aumentar a Segurança

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024

Enunciado

Diversos fatores relacionados à doença e ao paciente devem ser avaliados antes de decidir pela ressecção hepática. Com relação a este tema, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Ressecções em cunha, enucleações e desbridamento de tecidos desvitalizados são exemplos das ressecções hepáticas anatômicas.
  2. B) As ressecções não anatômicas são preferidas por estarem associadas à menor perda de sangue e, quando realizadas para tratamento de câncer, à menor incidência de margens positivas.
  3. C) A embolização pré-operatória da veia porta é uma técnica que pode ser utilizada para aumentar a segurança das ressecções hepáticas maiores.
  4. D) O pinçamento do pedículo de influxo portal (manobra de Pringle) não deve ser utilizado para reduzir a perda de sangue via ramos arteriais intra-hepáticos e venosos portais, pois pode aumentar o sangramento proveniente das veias supra-hepáticas.
  5. E) Pode-se remover até no máximo 50% do fígado normal com a expectativa de que o remanescente irá se regenerar suficientemente para que o paciente sobreviva, desde que tenha função hepática normal.

Pérola Clínica

Embolização pré-operatória da veia porta aumenta o volume do fígado remanescente, melhorando a segurança de ressecções maiores.

Resumo-Chave

A embolização pré-operatória da veia porta é uma técnica crucial para aumentar a segurança em ressecções hepáticas maiores. Ao ocluir o ramo portal do segmento a ser ressecado, ela induz hipertrofia compensatória do fígado remanescente, garantindo um volume funcional adequado e reduzindo o risco de insuficiência hepática pós-operatória.

Contexto Educacional

Outras estratégias para aumentar a segurança incluem a manobra de Pringle para controle do sangramento, a utilização de técnicas de ressecção anatômicas (seguindo a segmentação hepática) ou não anatômicas (em cunha), e a avaliação cuidadosa da função hepática pré-operatória. O manejo perioperatório multidisciplinar é fundamental para otimizar os resultados e minimizar as complicações.

Perguntas Frequentes

Qual a finalidade da embolização pré-operatória da veia porta?

A embolização pré-operatória da veia porta visa induzir a hipertrofia do futuro remanescente hepático. Ao ocluir o fluxo portal para os segmentos que serão ressecados, o fluxo é desviado para os segmentos que permanecerão, estimulando seu crescimento e aumentando o volume funcional do fígado remanescente, o que reduz o risco de insuficiência hepática pós-operatória.

O que é a manobra de Pringle e qual sua utilidade?

A manobra de Pringle consiste no pinçamento temporário do pedículo hepático (artéria hepática, veia porta e ducto biliar comum) para reduzir o sangramento durante a ressecção hepática. Ela diminui o influxo sanguíneo para o fígado, mas deve ser utilizada com cautela devido ao risco de isquemia hepática, com tempos de pinçamento limitados e intermitentes.

Qual o volume mínimo de fígado remanescente aceitável para uma ressecção segura?

O volume mínimo de fígado remanescente aceitável varia. Em fígados normais, cerca de 20-25% do volume total é suficiente. No entanto, em pacientes com doença hepática subjacente (esteatose, fibrose, cirrose), esse percentual pode precisar ser maior, chegando a 30-40% ou mais, para evitar insuficiência hepática pós-operatória.

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