Embolia Pulmonar Maciça: Sinais Hemodinâmicos no Choque

FBHC - Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia (SE) — Prova 2021

Enunciado

Paciente feminina, 60 anos, acamada por conta de artrose importante nos joelhos, hipertensa e diabética, apresentou quadro de dispnéia súbita em casa e foi trazida à emergência pelos vizinhos. Ao exame, encontra-se acordada, taquipnéica e com esforço respiratório moderado. Em 15 minutos, evoluiu com insuficiência respiratória e choque circulatório. Qual dos parâmetros a seguir é esperado na monitorização hemodinâmica desta paciente?

Alternativas

  1. A) Débito cardíaco inalterado.
  2. B) Pressão de oclusão na artéria pulmonar elevada.
  3. C) Pressão venosa central reduzida.
  4. D) Resistência vascular sistêmica diminuída.
  5. E) Pressão da artéria pulmonar elevada.

Pérola Clínica

Dispneia súbita + choque + paciente acamada → suspeitar embolia pulmonar maciça = ↑ Pressão Artéria Pulmonar.

Resumo-Chave

Em pacientes com dispneia súbita e choque, especialmente com fatores de risco como imobilidade prolongada, a embolia pulmonar maciça deve ser considerada. Nesses casos, a obstrução do leito vascular pulmonar leva a um aumento da pressão na artéria pulmonar e falência ventricular direita, caracterizando um choque obstrutivo.

Contexto Educacional

A embolia pulmonar (EP) é uma condição grave que ocorre quando um coágulo sanguíneo, geralmente originado nas veias profundas das pernas (trombose venosa profunda - TVP), migra para as artérias pulmonares, obstruindo o fluxo sanguíneo. Em pacientes acamados, como o descrito, o risco de TVP e EP é significativamente elevado. A EP maciça pode levar rapidamente à insuficiência respiratória e choque circulatório, sendo uma das principais causas de morte súbita hospitalar. A fisiopatologia do choque na EP maciça envolve a obstrução de mais de 50% do leito vascular pulmonar, o que aumenta drasticamente a resistência vascular pulmonar. Isso sobrecarrega o ventrículo direito, que não consegue bombear sangue contra essa alta resistência, levando à sua dilatação e falência (cor pulmonale agudo). A falência do ventrículo direito resulta em diminuição do débito cardíaco e hipotensão sistêmica, culminando em choque obstrutivo. Na monitorização hemodinâmica de um paciente com EP maciça e choque, espera-se uma pressão da artéria pulmonar (PAP) elevada devido ao aumento da resistência vascular pulmonar. A pressão venosa central (PVC) também estará elevada, refletindo a sobrecarga do ventrículo direito. O débito cardíaco estará reduzido e a pressão de oclusão da artéria pulmonar (POAP) geralmente será normal ou baixa, diferenciando-a do choque cardiogênico de origem esquerda. O tratamento envolve suporte hemodinâmico, oxigenação e reperfusão (trombólise ou embolectomia).

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para embolia pulmonar em pacientes acamados?

Pacientes acamados apresentam alto risco de embolia pulmonar devido à estase venosa, que favorece a formação de trombos nas veias profundas dos membros inferiores. Outros fatores incluem idade avançada, obesidade, comorbidades como hipertensão e diabetes, e imobilização prolongada, que compõem a tríade de Virchow.

Como a embolia pulmonar maciça leva ao choque circulatório?

Na embolia pulmonar maciça, grandes trombos obstruem significativamente o leito vascular pulmonar, aumentando a resistência vascular pulmonar e a pós-carga do ventrículo direito. Isso leva à dilatação e falência do ventrículo direito (cor pulmonale agudo), resultando em diminuição do débito cardíaco e hipotensão sistêmica, culminando em choque obstrutivo.

Quais outros parâmetros hemodinâmicos são esperados na embolia pulmonar maciça?

Além da pressão da artéria pulmonar elevada, espera-se uma pressão venosa central (PVC) elevada devido à falência do ventrículo direito. O débito cardíaco estará reduzido, e a resistência vascular sistêmica (RVS) pode estar normal ou elevada como mecanismo compensatório. A pressão de oclusão da artéria pulmonar (POAP) geralmente é normal ou baixa, a menos que haja disfunção ventricular esquerda pré-existente.

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