AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2022
José Batista, 68 anos, DM e HAS de longa data, tabagista ativo, teve recente diagnóstico de angina mesentérica em angiorressonância magnética mesentérica, investigando dor abdominal pós prandial. Submetido a arteriografia, seguida de angioplastia de ramo mesentérico com estenose crítica, evoluiu nos dias subsequentes com piora da função renal. Creatinina no primeiro dia pós procedimento 0,9 , no segundo dia 1,2 , quarto dia 3,7 , sexto dia 6mg/dL e anúria. Qual a provável causa da disfunção renal aguda neste caso?
Piora súbita e progressiva da função renal + fatores de risco ateroscleróticos + procedimento vascular recente → Suspeitar de embolia por colesterol.
A embolia por colesterol é uma complicação grave, embora rara, de procedimentos vasculares invasivos, especialmente em pacientes com aterosclerose avançada. Fragmentos de placas ateroscleróticas se desprendem e embolizam para pequenos vasos, causando isquemia em órgãos como os rins, levando à lesão renal aguda progressiva.
A embolia por colesterol, também conhecida como aterosclerose embólica, é uma síndrome sistêmica causada pela liberação de cristais de colesterol e outros detritos de placas ateroscleróticas para a circulação, ocluindo pequenas artérias e arteríolas. É uma complicação grave, embora subdiagnosticada, de procedimentos vasculares invasivos, como arteriografias e angioplastias, especialmente em pacientes idosos com aterosclerose avançada e múltiplos fatores de risco cardiovascular. A fisiopatologia envolve a ruptura ou manipulação de placas ateroscleróticas durante o procedimento, liberando êmbolos que viajam para órgãos distais. Os rins são frequentemente afetados, resultando em lesão renal aguda progressiva, que pode variar de disfunção leve a anúria e insuficiência renal terminal. Outras manifestações incluem livedo reticular, "dedos azuis", dor abdominal, pancreatite e eosinofilia. O diagnóstico é clínico, laboratorial (eosinofilia, hipocomplementemia) e, em casos selecionados, por biópsia renal ou cutânea. O tratamento é principalmente de suporte, visando controlar os fatores de risco e manejar as complicações. Não há terapia específica para remover os êmbolos. A prevenção é crucial, minimizando o trauma vascular durante os procedimentos e considerando o risco em pacientes de alto risco. O prognóstico é frequentemente reservado, com alta mortalidade e morbidade renal.
Os principais fatores de risco são aterosclerose avançada, idade avançada, hipertensão, diabetes mellitus, tabagismo e procedimentos vasculares invasivos recentes, como cateterismo cardíaco ou angioplastia.
A manifestação renal mais comum é a lesão renal aguda progressiva, que pode levar à anúria e necessidade de diálise. Outras manifestações incluem livedo reticular, lesões cutâneas isquêmicas, eosinofilia e eosinofilúria.
A nefropatia por contraste geralmente tem um pico de creatinina em 2-5 dias e melhora espontânea. A embolia por colesterol tem um curso mais insidioso e progressivo, com piora da função renal que pode levar semanas, e frequentemente associada a outras manifestações sistêmicas.
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