Embolia Gordurosa: Diagnóstico em Fraturas de Fêmur

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2022

Enunciado

Homem, 43 anos, pedreiro, teve queda de escada, deu entrada na urgência, eupneico, saturação de oxigênio em ar ambiente 97%, falando, PA 120 x 80 mmHg, FC 88 bpm, Glasgow 15, sem sinal de TCE, sem achados de trauma torácico e sem trauma abdominal, sendo identificado exclusivamente fratura fechada de fêmur direito, foi submetido a cirurgia pela equipe da ortopedia. No segundo dia de pós operatório evoluiu com dispneia súbita e rebaixamento do nível de consciência, sendo necessário intubação oro-traqueal. O diagnóstico mais provável, nesse caso, é:

Alternativas

  1. A) edema pulmonar e cerebral.
  2. B) embolia gordurosa.
  3. C) tromboembolismo pulmonar.
  4. D) lesão axonal difusa.
  5. E) choque séptico por pneumonia.

Pérola Clínica

Fratura de ossos longos + dispneia súbita + rebaixamento consciência pós-op = Embolia Gordurosa.

Resumo-Chave

A Síndrome da Embolia Gordurosa (SEG) é uma complicação grave de fraturas de ossos longos (fêmur, tíbia) ou pelve, caracterizada pela tríade de Gurd: insuficiência respiratória, alterações neurológicas e rash petequial. O quadro clínico do paciente, com dispneia súbita e rebaixamento do nível de consciência após fratura de fêmur, é altamente sugestivo.

Contexto Educacional

A Síndrome da Embolia Gordurosa (SEG) é uma complicação potencialmente fatal que ocorre mais frequentemente após fraturas de ossos longos (fêmur, tíbia) e pelve, ou em procedimentos ortopédicos. Embora a presença de êmbolos gordurosos na circulação seja comum após trauma, a síndrome clínica se desenvolve em uma minoria dos pacientes, geralmente dentro de 24 a 72 horas após o evento inicial. A fisiopatologia envolve a liberação de glóbulos de gordura da medula óssea para a circulação, que atuam como êmbolos mecânicos e desencadeiam uma resposta inflamatória sistêmica. O diagnóstico da SEG é clínico e baseia-se na tríade clássica de Gurd: insuficiência respiratória (dispneia, taquipneia, hipoxemia), alterações neurológicas (rebaixamento do nível de consciência, agitação, convulsões) e rash petequial (especialmente no tronco superior, axilas e conjuntivas). A presença de dois ou mais desses critérios, juntamente com a história de trauma ou cirurgia ortopédica, é altamente sugestiva. Exames complementares como radiografia de tórax (infiltrados difusos), gasometria arterial (hipoxemia) e tomografia de crânio (edema cerebral) podem auxiliar, mas não são diagnósticos definitivos. O tratamento da SEG é primariamente de suporte, visando manter a oxigenação e a estabilidade hemodinâmica. Isso inclui oxigenoterapia, ventilação mecânica se necessário, e suporte circulatório. Não há tratamento específico para remover os êmbolos de gordura. A prevenção é fundamental e envolve a estabilização precoce de fraturas, manuseio cuidadoso dos membros fraturados e, em alguns casos, o uso de corticosteroides profiláticos, embora sua eficácia seja controversa. Residentes devem estar vigilantes para essa complicação em pacientes com fraturas de ossos longos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da Síndrome da Embolia Gordurosa?

A Síndrome da Embolia Gordurosa é caracterizada pela tríade de Gurd: insuficiência respiratória (dispneia, hipoxemia), alterações neurológicas (rebaixamento do nível de consciência, agitação) e rash petequial (no tronco superior, axilas e conjuntivas).

Qual a fisiopatologia da embolia gordurosa?

A fisiopatologia envolve a liberação de glóbulos de gordura da medula óssea para a circulação após o trauma, que embolizam para os pulmões e, em alguns casos, para a circulação sistêmica. A inflamação sistêmica também desempenha um papel importante.

Como diferenciar embolia gordurosa de tromboembolismo pulmonar (TEP)?

Ambos causam dispneia súbita, mas a embolia gordurosa é mais comum após fraturas de ossos longos, com alterações neurológicas e petéquias. O TEP, por sua vez, está mais associado a trombose venosa profunda e geralmente não cursa com alterações neurológicas ou rash petequial.

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