PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2026
Uma mulher de 28 anos, com índice de massa corporal de 25 kg/m², foi internada com diagnóstico de colecistite aguda e encaminhada ao centro cirúrgico para colecistectomia laparoscópica. Após a administração de anestesia geral, o acesso ao peritônio foi realizado com a introdução de uma agulha de Veress para estabelecer o pneumoperitônio. A entrada na cavidade peritoneal foi realizada com a inserção de um trocarte de Hasson. Quando uma agulha de Veress é usada para obter acesso ao peritônio, o anestesista observa que a saturação de dióxido de carbono e oxigênio expirados diminuíram e a paciente tornou-se taquicárdica e você observa que o pneumoperitônio não foi adequadamente estabelecido, qual é o próximo passo?
Suspeita de embolia gasosa na laparoscopia → Interromper insuflação + Remover agulha/trocarte imediatamente.
A queda súbita do EtCO2 associada à instabilidade hemodinâmica durante a insuflação inicial sugere embolia gasosa (injeção intravascular de CO2). A primeira ação deve ser cessar a fonte do gás.
A embolia gasosa é uma complicação rara, porém potencialmente fatal, da cirurgia laparoscópica, ocorrendo mais frequentemente durante a criação do pneumoperitônio com a agulha de Veress. Se a ponta da agulha estiver inadvertidamente dentro de um vaso sanguíneo (como a veia cava ou veia ilíaca), o CO2 é insuflado diretamente na circulação sistêmica. O reconhecimento precoce através da monitorização da capnografia é vital. Ao notar a queda do EtCO2 e instabilidade hemodinâmica, o cirurgião deve agir imediatamente removendo a fonte de gás. Após a remoção da agulha, as medidas de suporte incluem ventilação com O2 a 100%, posicionamento adequado para tentar 'quebrar' a bolha no coração e, em casos graves, a aspiração do gás através de um cateter venoso central posicionado no átrio direito.
Na embolia gasosa maciça, as bolhas de CO2 entram na circulação venosa e atingem o ventrículo direito e a artéria pulmonar, criando um 'air lock' (bloqueio gasoso) que obstrui o fluxo sanguíneo para os pulmões. Isso gera um aumento súbito do espaço morto alveolar (áreas ventiladas mas não perfundidas). Como o sangue não chega aos alvéolos para liberar o CO2 produzido pelos tecidos, a concentração de CO2 no ar expirado (EtCO2) cai drasticamente, apesar de o CO2 arterial estar subindo.
A posição de Durant consiste em colocar o paciente em decúbito lateral esquerdo e Trendelenburg. O objetivo é deslocar a bolha de gás do trato de saída do ventrículo direito para o ápice do ventrículo, liberando a obstrução do fluxo para a artéria pulmonar. No entanto, essa manobra é secundária; a primeira e mais crítica ação é interromper a insuflação e remover a agulha de Veress ou trocarte que está injetando o gás.
Os sinais incluem queda súbita e mantida do EtCO2, hipóxia (queda da SpO2), hipotensão arterial, taquicardia (ou bradicardia em casos terminais) e, classicamente, a ausculta de um sopro em 'roda de moinho' (mill-wheel murmur) sobre o precórdio. O anestesista também pode notar aumento das pressões de via aérea.
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