HRAC-USP/Centrinho - Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais - Bauru (SP) — Prova 2025
Homem, 71 anos de idade, procurou o serviço de urgência com dor torácica de forte intensidade, iniciada há duas horas, sem melhora com o repouso. Tem história de hipertensão arterial, diabetes melito, hipercolesterolemia, doença coronariana e tabagismo (58 anos-maço). Na admissão, apresentava FC de 130 bpm, FR de 30 irpm e PA de 80x40 mmHg. O diagnóstico eletrocardiográfico e laboratorial foi de infarto agudo do miocárdio com supra de ST. Foi submetido à angioplastia com colocação de stent. Houve melhora do quadro hemodinâmico e no 4º dia de internação, observou-se lesões arroxeadas puntiformes diversas em dedos dos pés na forma de livedo reticularis e diminuição do débito urinário. Padrão hemodinâmico normal. • Exames laboratoriais: Hb: 12 g/dL Leucócitos: 15.000/μL Neutrófilos: 60% Eosinófilos: 9% Linfócitos: 25% Creatinina: 4,0 mg/dL Ureia: 70 mg/dL LDH: 60 U/L CPK: 79 U/L Complemento C3 reduzido. Em relação ao caso descrito, assinale a alternativa que apresenta o que, mais provavelmente, precipitou a diminuição do débito urinário.
Embolia de colesterol pós-procedimento vascular: IRA + livedo reticularis + eosinofilia + C3 baixo.
A síndrome de embolização por colesterol é uma complicação grave que pode ocorrer após procedimentos vasculares invasivos, como a angioplastia. Caracteriza-se pela liberação de cristais de colesterol de placas ateroscleróticas, causando isquemia em múltiplos órgãos, incluindo rins (IRA), pele (livedo reticularis, cianose digital), e eosinofilia com hipocomplementemia.
A embolia de colesterol, também conhecida como aterosclerose embólica, é uma síndrome sistêmica grave que resulta da liberação de cristais de colesterol e material trombótico de placas ateroscleróticas da aorta ou de grandes artérias. Esses êmbolos se alojam em pequenas arteríolas de diversos órgãos, causando isquemia e inflamação. É uma complicação bem conhecida de procedimentos vasculares invasivos, como cateterismos cardíacos, angioplastias, cirurgias vasculares e até mesmo anticoagulação intensa que desestabiliza placas. O quadro clínico é caracterizado por um início subagudo, geralmente dias a semanas após o procedimento desencadeante. As manifestações são multissistêmicas, incluindo insuficiência renal aguda (a mais comum), lesões cutâneas como livedo reticularis, cianose digital e úlceras, além de sintomas gastrointestinais, neurológicos e oculares. Laboratorialmente, é comum encontrar eosinofilia, elevação de marcadores inflamatórios e hipocomplementemia (redução de C3 e C4), que ajudam a diferenciar de outras causas de IRA. O diagnóstico é clínico, baseado na história de procedimento vascular recente e na constelação de sintomas. A biópsia de pele ou rim pode confirmar a presença de cristais de colesterol nas arteríolas. O tratamento é de suporte, visando o controle da hipertensão, dislipidemia e a prevenção de novas embolias. O prognóstico é variável e depende da extensão do comprometimento orgânico, sendo a insuficiência renal a principal causa de morbimortalidade.
Os sinais incluem insuficiência renal aguda, livedo reticularis, lesões digitais isquêmicas, eosinofilia, hipocomplementemia e, por vezes, sintomas gastrointestinais ou neurológicos.
Deve-se suspeitar quando há desenvolvimento de insuficiência renal aguda, livedo reticularis ou outras manifestações sistêmicas dias a semanas após um procedimento invasivo como cateterismo cardíaco ou angioplastia.
A embolia de colesterol tem início mais tardio, é acompanhada por manifestações sistêmicas (pele, eosinofilia, C3 baixo) e é causada pela liberação de cristais de colesterol, enquanto a nefropatia por contraste é uma lesão tubular direta e geralmente isolada do rim, com início mais precoce.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo