IOG - Instituto de Olhos de Goiânia — Prova 2022
Gestante de 40 semanas, 37 anos de idade, submeteu-se a cesárea iterativa eletiva. O pré-natal transcorreu sem intercorrências e a paciente não apresentava comorbidades. Após a dequitação, iniciou quadro de cianose, seguido de dispneia, hipóxia, hipotensão e parada cardiorrespiratória. A hipótese diagnóstica é de que tenha ocorrido:
Cianose, dispneia, hipotensão e PCR após dequitação → Embolia Amniocaseosa (AFE) até prova em contrário.
A embolia amniocaseosa é uma emergência obstétrica rara, mas catastrófica, caracterizada por colapso cardiovascular e respiratório agudo, frequentemente seguido por coagulopatia, que ocorre durante o trabalho de parto, parto ou imediatamente após. A suspeita clínica é crucial para o manejo rápido.
A embolia amniocaseosa (EAC), também conhecida como síndrome de embolia de líquido amniótico (SELA), é uma complicação obstétrica rara, mas devastadora, com alta morbimortalidade materna e fetal. Caracteriza-se pela entrada de líquido amniótico na circulação materna, desencadeando uma resposta inflamatória e anafilactoide. Embora a incidência seja baixa (aproximadamente 1 em 40.000 partos), a taxa de mortalidade materna pode ser superior a 20%, tornando-a uma das principais causas de morte materna direta. A fisiopatologia da EAC envolve uma resposta imune e inflamatória sistêmica à entrada de componentes do líquido amniótico na circulação materna, e não uma obstrução mecânica por êmbolos. Isso leva a disfunção cardíaca aguda (disfunção ventricular esquerda e direita), insuficiência respiratória grave com edema pulmonar e, em muitos casos, coagulopatia de consumo (CID). Os fatores de risco incluem idade materna avançada, multiparidade, indução do parto, cesariana, trauma abdominal e ruptura de membranas. O diagnóstico da EAC é clínico, baseado na tríade de colapso cardiovascular, insuficiência respiratória e coagulopatia que ocorre abruptamente durante ou logo após o parto. O tratamento é de suporte, visando estabilizar a paciente e corrigir as disfunções orgânicas. Isso inclui suporte ventilatório, hemodinâmico com vasopressores e inotrópicos, e manejo agressivo da coagulopatia com transfusão de hemoderivados. A rápida identificação e intervenção são cruciais para tentar melhorar o prognóstico materno e fetal.
Os principais sinais e sintomas incluem início súbito de dispneia, cianose, hipotensão, taquicardia, edema pulmonar, e colapso cardiovascular, que pode progredir para parada cardiorrespiratória. Coagulopatia grave, com sangramento incontrolável, é uma complicação comum e tardia.
A fisiopatologia envolve a entrada de líquido amniótico, células fetais e detritos para a circulação materna, desencadeando uma resposta inflamatória e anafilactoide sistêmica. Isso leva a vasospasmo pulmonar, disfunção ventricular direita, choque cardiogênico e, posteriormente, coagulopatia de consumo.
O manejo inicial foca em suporte vital avançado: intubação e ventilação mecânica, suporte hemodinâmico com vasopressores e fluidos, e correção da coagulopatia com hemoderivados (concentrado de hemácias, plasma fresco congelado, plaquetas, crioprecipitado). A equipe multidisciplinar é essencial.
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