INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023
Um paciente com 65 anos foi admitido em unidade de terapia intensiva por sepse de origem pulmonar. Evolui com insuficiência respiratória e hipotensão refratária à expansão volumétrica, com necessidade de entubação orotraqueal e de drogas vasoativas. Foi indicada a obtenção de acesso venoso central em veia subclávia. Após a inserção do cateter, o paciente apresentou hipoxemia inexplicável e colapso cardiocirculatório. A suspeita é de embolia aérea.Nesse caso, a conduta mais adequada é a aspiração do ar
Suspeita de embolia aérea pós-CVC → Trendelenburg + decúbito lateral esquerdo + aspiração de ar pelo cateter.
A embolia aérea é uma complicação grave da inserção de cateter venoso central. A conduta imediata visa aprisionar o ar no ventrículo direito e átrio direito, evitando sua passagem para a circulação pulmonar, e tentar aspirá-lo para estabilizar o paciente.
A embolia aérea é uma complicação rara, mas potencialmente fatal, da inserção ou remoção de cateteres venosos centrais, especialmente em veias de grande calibre como a subclávia. Ocorre quando o ar atmosférico entra na circulação venosa, formando bolhas que podem obstruir o fluxo sanguíneo nos vasos pulmonares, levando a hipoxemia e colapso cardiocirculatório. O reconhecimento rápido e a intervenção imediata são cruciais para a sobrevida do paciente. A fisiopatologia envolve a formação de um êmbolo gasoso que, ao atingir o coração direito, pode causar obstrução da artéria pulmonar ou das câmaras cardíacas, resultando em insuficiência cardíaca direita aguda e choque obstrutivo. A suspeita deve ser alta em pacientes que desenvolvem hipoxemia inexplicável e instabilidade hemodinâmica logo após um procedimento de acesso venoso central. A ausculta de um 'murmúrio em moinho' no precórdio é um sinal clássico, embora nem sempre presente. O manejo imediato inclui oclusão do local de entrada do ar, posicionamento do paciente em Trendelenburg e decúbito lateral esquerdo (posição de Durrant) para aprisionar o ar no ventrículo direito e átrio direito, e aspiração do ar através do cateter venoso central, se possível. Suporte hemodinâmico e ventilatório, incluindo oxigenoterapia e vasopressores, são essenciais. A hiperbárica pode ser considerada em casos selecionados, mas as medidas iniciais são as mais importantes.
Os sinais e sintomas podem incluir dispneia súbita, hipoxemia inexplicável, dor torácica, taquicardia, hipotensão, colapso cardiocirculatório e, em casos graves, perda de consciência. Um 'murmúrio em moinho' pode ser auscultado no precórdio.
Essa posição ajuda a aprisionar o ar na porção não dependente do ventrículo direito e átrio direito, impedindo que ele se desloque para o trato de saída do ventrículo direito e, consequentemente, para a circulação pulmonar, onde causaria obstrução e hipoxemia grave.
A aspiração do ar pelo cateter é uma medida terapêutica crucial. Ao posicionar o paciente e tentar aspirar o ar através do próprio cateter que causou a embolia, busca-se remover o volume de gás que está comprometendo a hemodinâmica e a oxigenação do paciente.
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