SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2020
A elevação plasmática de BNP e NT-proBNP pode ser desencadeada por várias afecções clínicas, no entanto, NÃO se espera que ocorra em decorrência de
BNP/NT-proBNP ↑ em estresse cardíaco (IC, sepse, HP, DPOC agudizado). NÃO ↑ em hipovolemia/diarreia, pois ↓ pré-carga e estresse miocárdico.
Os peptídeos natriuréticos (BNP e NT-proBNP) são liberados em resposta ao estiramento das paredes cardíacas. Condições que aumentam a pré-carga ou a pós-carga ventricular (como insuficiência cardíaca, sepse, hipertensão pulmonar e exacerbação de DPOC com cor pulmonale) elevam esses marcadores. Diarreia e hipovolemia, ao contrário, diminuem o volume intravascular e o estiramento cardíaco, não causando elevação.
Os peptídeos natriuréticos tipo B (BNP) e seu fragmento N-terminal (NT-proBNP) são biomarcadores amplamente utilizados na prática clínica, principalmente para o diagnóstico e prognóstico da insuficiência cardíaca. Eles são liberados pelos cardiomiócitos ventriculares em resposta ao aumento do estresse da parede miocárdica, seja por sobrecarga de volume ou pressão. A elevação desses marcadores reflete a ativação de mecanismos compensatórios cardiovasculares. Diversas afecções clínicas, além da insuficiência cardíaca, podem levar à elevação do BNP e NT-proBNP. Isso inclui condições que causam estresse miocárdico, como disfunção de ventrículo esquerdo (mesmo assintomática), hipertensão pulmonar, agudização de DPOC (especialmente se houver cor pulmonale), sepse (devido à miocardiopatia séptica e sobrecarga volêmica) e doença renal crônica. É crucial interpretar esses valores no contexto clínico completo do paciente. No entanto, condições que levam à diminuição do volume intravascular e, consequentemente, à redução da pré-carga cardíaca, como diarreia e hipovolemia, não resultam em elevação de BNP e NT-proBNP. Pelo contrário, a diminuição do estiramento miocárdico nessas situações pode até levar a níveis mais baixos desses peptídeos. Portanto, a ausência de elevação de BNP/NT-proBNP em um paciente com diarreia e hipovolemia é o esperado e ajuda a descartar insuficiência cardíaca como causa primária dos sintomas.
O BNP e o NT-proBNP são liberados pelos cardiomiócitos ventriculares em resposta ao estiramento e à sobrecarga de pressão ou volume das paredes cardíacas. Eles atuam como hormônios natriuréticos e vasodilatadores, tentando contrabalançar a sobrecarga cardíaca.
Na sepse, a disfunção miocárdica induzida pela sepse (miocardiopatia séptica), a sobrecarga volêmica da ressuscitação fluídica e o aumento da pós-carga sistêmica podem levar ao estiramento ventricular e, consequentemente, à elevação dos peptídeos natriuréticos, mesmo na ausência de insuficiência cardíaca pré-existente.
A diarreia e a hipovolemia resultam em depleção de volume intravascular, o que leva a uma diminuição da pré-carga cardíaca e do estiramento das paredes ventriculares. Consequentemente, a liberação de BNP e NT-proBNP não é estimulada e seus níveis plasmáticos não se elevam, podendo até diminuir.
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