Enzimas Hepáticas Elevadas: Abordagem em Usuários de Álcool e Suplementos

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem, 57a, assintomático, traz exames solicitados para admissão em seguro de saúde. Antecedente pessoal: uso de suplementos nutricionais há 2 meses; ingestão de 3 a 4 latas de cerveja/dia. Exames: AST= 106 U/L ; ALT= 51 U/L ; fosfatase alcalina= 98 U/L; gamaGT= 260 U/L ; bilirrubina= 1,0 mg/dL ; albuminemia= 3,9 g/dL ; RNI= 1,03; sorologia anti-HCV e Ag-HbS e anti-Hbc negativas; Ultrassonografia abdominal: esteatose leve. ALÉM DE SUSPENDER A INGESTA ALCOÓLICA A CONDUTA É:

Alternativas

  1. A) Elastografia hepática e reavaliação laboratorial em dois meses.
  2. B) Tomografia de abdome e reavaliação laboratorial em quatro semanas.
  3. C) Realizar reação em cadeia da polimerase para hepatite B e C.
  4. D) Suspender suplementos e reavaliação laboratorial em quatro semanas

Pérola Clínica

Elevação AST/GGT com uso de álcool e suplementos → suspender ambos e reavaliar em 4 semanas para identificar causa.

Resumo-Chave

Diante de elevações de enzimas hepáticas em paciente com múltiplos fatores de risco (ingesta alcoólica e uso de suplementos), a conduta inicial é eliminar todas as possíveis causas de hepatotoxicidade. Suspender tanto o álcool quanto os suplementos e reavaliar os exames em um período curto (4 semanas) permite identificar qual fator, ou se ambos, contribuíam para a alteração.

Contexto Educacional

A elevação assintomática das enzimas hepáticas é um achado comum em exames de rotina e exige uma investigação sistemática para identificar a causa subjacente. É crucial considerar o histórico completo do paciente, incluindo uso de álcool, medicamentos, suplementos nutricionais e comorbidades. A relação AST/ALT, a elevação da gamaGT e da fosfatase alcalina fornecem pistas importantes para o diagnóstico diferencial. No caso apresentado, o paciente possui dois fatores de risco importantes para hepatopatia: consumo diário de álcool e uso de suplementos nutricionais. A elevação da AST e, principalmente, da gamaGT, com ALT menos elevada, é sugestiva de lesão hepática alcoólica, mas os suplementos também são conhecidos por causar hepatotoxicidade. A ultrassonografia mostrando esteatose leve é um achado inespecífico que pode estar presente em ambas as condições. A conduta mais adequada é eliminar simultaneamente todas as possíveis agressões ao fígado. Portanto, além de suspender a ingesta alcoólica, é imperativo suspender os suplementos nutricionais. A reavaliação laboratorial em quatro semanas permite verificar a normalização das enzimas. Se as enzimas persistirem elevadas após a suspensão de ambos, outras causas devem ser investigadas, como elastografia hepática para avaliar fibrose ou biópsia hepática, mas não como conduta inicial.

Perguntas Frequentes

Quais são as causas mais comuns de elevação assintomática das enzimas hepáticas (AST/ALT)?

As causas mais comuns incluem doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA), doença hepática alcoólica, hepatites virais crônicas (B e C), hemocromatose, deficiência de alfa-1 antitripsina, doenças autoimunes e lesão hepática induzida por medicamentos ou suplementos.

Qual a importância da gamaGT no diagnóstico de hepatopatias?

A gamaGT é uma enzima sensível para detectar colestase e lesão hepática induzida por álcool ou medicamentos. Sua elevação isolada ou desproporcional à ALT/AST, especialmente em conjunto com fosfatase alcalina normal, sugere fortemente consumo de álcool ou uso de drogas hepatotóxicas.

Qual a conduta inicial em um paciente com elevação de enzimas hepáticas e múltiplos fatores de risco?

A conduta inicial é suspender todos os potenciais agentes hepatotóxicos, como álcool e suplementos nutricionais, e reavaliar os exames laboratoriais em um período de 4 a 8 semanas. Se as enzimas normalizarem, a causa foi identificada; se persistirem elevadas, outras investigações são necessárias.

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