CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2022
A resposta elétrica da célula de Muller está melhor representada pela:
Onda b do ERG → reflete a atividade das células bipolares e a modulação pelas células de Müller.
A onda b é a maior deflexão positiva do eletrorretinograma (ERG), originada principalmente nas células bipolares, mas sua amplitude e forma dependem da homeostase de potássio mantida pelas células de Müller.
O eletrorretinograma de campo total (ffERG) é uma ferramenta diagnóstica essencial na oftalmologia para avaliar a função global da retina. Ele é composto por várias ondas que refletem a atividade de diferentes camadas celulares: a onda 'a' (negativa) reflete os fotorreceptores (cones e bastonetes); a onda 'b' (positiva) reflete as células bipolares e de Müller; e a onda 'c' reflete o epitélio pigmentado da retina. As células de Müller desempenham um papel vital na manutenção do microambiente retinal, agindo na regulação de neurotransmissores e íons. Na prática clínica, o entendimento de que a onda b representa a função pós-receptoral é crucial para diferenciar doenças que afetam apenas os fotorreceptores daquelas que interrompem a sinalização interna da retina, auxiliando no diagnóstico diferencial de distrofias e retinopatias vasculares.
A onda b do eletrorretinograma (ERG) é a principal deflexão positiva observada após o estímulo luminoso. Ela se origina predominantemente nas células bipolares (tanto ON quanto OFF), mas sua geração é intimamente dependente das células de Müller. Estas células gliais da retina respondem às variações nas concentrações de potássio extracelular geradas pela atividade neuronal, contribuindo para a corrente transretiniana que compõe a onda b. Portanto, a integridade funcional das células de Müller é essencial para a representação normal desta onda nos exames eletrofisiológicos.
As células de Müller atuam como os principais elementos gliais da retina, estendendo-se por quase toda a sua espessura. No contexto do ERG, elas não geram o sinal sozinhas, mas modulam a resposta elétrica. Elas são responsáveis por manter o equilíbrio iônico, especialmente do potássio (K+). Quando os neurônios retinais são ativados pela luz, liberam K+, que é captado pelas células de Müller. Esse fluxo iônico gera variações de potencial que são captadas pelo ERG como parte da onda b e também contribuem para a onda c (junto com o epitélio pigmentado da retina).
Uma redução seletiva ou ausência da onda b, com preservação da onda a (conhecido como ERG negativo), sugere uma disfunção nas camadas internas da retina ou na transmissão sináptica entre fotorreceptores e células bipolares. Condições como a retinosquise ligada ao X, oclusão da artéria central da retina, cegueira noturna estacionária congênita e certas toxicidades medicamentosas podem apresentar esse padrão. Como a onda b depende da saúde das células de Müller e bipolares, qualquer patologia que afete a perfusão ou a estrutura dessas camadas impactará diretamente sua amplitude.
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