CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2020
Assinale a alternativa que melhor descreve as alterações esperadas para as ondas âaâ e âbâ, respectivamente, da eletrorretinografia de campo total em um paciente na fase aguda de uma oclusão da artéria central da retina.
OACR → Onda 'a' preservada (fotorreceptores/coroide) + Onda 'b' reduzida (camadas internas/artéria central).
Na OACR, a isquemia atinge as camadas internas da retina (supridas pela artéria central), poupando os fotorreceptores (supridos pela coroide), o que reflete na queda seletiva da onda 'b'.
A oclusão da artéria central da retina (OACR) é uma emergência oftalmológica que resulta em isquemia súbita das camadas internas da retina. O eletrorretinograma de campo total (ERG) é fundamental para entender a fisiopatologia dessa condição, demonstrando o padrão clássico de preservação da onda 'a' e redução da onda 'b'. Este padrão ocorre porque a retina possui suprimento sanguíneo dual: os fotorreceptores (geradores da onda 'a') dependem da circulação coroidiana, enquanto as células bipolares e de Müller (geradoras da onda 'b') dependem da artéria central da retina. Portanto, na OACR, a função dos fotorreceptores é mantida, mas a transmissão sináptica para as camadas internas é interrompida, o que é evidenciado eletrofisiologicamente.
A onda 'a' do eletrorretinograma (ERG) representa a resposta inicial dos fotorreceptores (cones e bastonetes). Essas células recebem seu suprimento sanguíneo e oxigenação principalmente da coriocapilar, que faz parte da circulação coroidiana. Como a OACR obstrui apenas a circulação retiniana interna, a coroide permanece pérvia, mantendo a função dos fotorreceptores e a integridade da onda 'a'.
A onda 'b' reflete a atividade elétrica das células bipolares e das células de Müller, localizadas nas camadas internas da retina. Essas camadas são supridas exclusivamente pela artéria central da retina. Na fase aguda da OACR, a isquemia severa impede a despolarização dessas células, resultando em uma redução drástica ou extinção da amplitude da onda 'b', caracterizando o ERG 'negativo'.
Embora o diagnóstico da OACR seja eminentemente clínico (mancha cereja no centro da mácula, edema retiniano pálido), o ERG é uma ferramenta valiosa para confirmar a extensão do dano funcional e diferenciar a OACR de outras patologias, como a oclusão da artéria oftálmica, onde o ERG seria totalmente extinto devido ao comprometimento simultâneo da coroide.
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