HVV - Hospital Vaz Monteiro - Lavras (MG) — Prova 2023
Mulher, 20 anos de idade, dá entrada na Unidade de Pronto Atendimento duas horas após episódio de crise tônico-clônica generalizada. Refere ser o segundo episódio, tendo o primeiro ocorrido há dois meses. Nega comorbidades, trauma, uso de álcool, tabaco ou drogas ilícitas. Faz uso apenas de contraceptivo oral. Ao exame, apresenta-se em bom estado geral, sinais vitais estáveis. Exame segmentar e neurológico sem achados. Realizada tomografia computadorizada de crânio sem alterações.Com base no quadro descrito, indique o exame complementar mais adequado neste momento:
Crise convulsiva recorrente + TC normal → EEG para classificar síndrome e risco de recorrência.
Após a exclusão de lesões estruturais agudas pela TC de crânio, o EEG é o exame funcional mandatório para identificar descargas epileptiformes e definir a conduta terapêutica a longo prazo.
A abordagem diagnóstica de uma crise convulsiva no pronto-socorro foca inicialmente na exclusão de causas secundárias 'provocadas' (distúrbios metabólicos, infecções, trauma ou intoxicações). Uma vez que a paciente está estável, sem déficits focais e com TC normal, a investigação se volta para a epilepsia primária. O EEG deve ser realizado preferencialmente nas primeiras 24-48 horas após a crise, pois a sensibilidade para encontrar descargas epileptiformes é maior nesse período. Manobras de ativação, como hiperpneia, fotoestimulação e privação de sono, aumentam a chance de captar anormalidades. O resultado do EEG, somado à história clínica, guiará a escolha do fármaco antiepiléptico mais adequado para o perfil da paciente.
A Tomografia Computadorizada (TC) é excelente para excluir causas estruturais agudas (hemorragias, tumores grandes, hidrocefalia), mas não avalia a função elétrica cerebral. O Eletroencefalograma (EEG) é essencial para detectar atividade epileptiforme, o que ajuda a confirmar o diagnóstico de epilepsia, classificar o tipo de crise (focal vs. generalizada) e estimar o risco de novas recorrências, sendo fundamental para a decisão de iniciar anticonvulsivantes.
A Ressonância Magnética (RM) é o padrão-ouro para avaliação estrutural na epilepsia, pois possui maior sensibilidade para detectar lesões pequenas, como esclerose mesial temporal, displasias corticais e pequenos tumores. No entanto, em um cenário de pronto atendimento após uma crise, a TC é frequentemente o primeiro exame realizado pela rapidez. Se a TC for normal e o paciente persistir com crises, a RM deve ser solicitada ambulatorialmente, mas o EEG permanece como o próximo passo funcional imediato.
Sim, de acordo com a International League Against Epilepsy (ILAE), a epilepsia pode ser definida clinicamente pela ocorrência de pelo menos duas crises não provocadas (ou reflexas) ocorrendo com intervalo superior a 24 horas. No caso da paciente, que teve duas crises em dois meses sem fatores desencadeantes agudos, o diagnóstico de epilepsia é altamente provável, e o EEG ajudará a caracterizar a síndrome.
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