UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2023
O termo palliare tem origem no latim e significa proteger, amparar, cobrir, abrigar. Essa nominação tem trazido uma nova abordagem à medicina tradicional ocidental: a de cuidar, para além de curar. Nesse contexto, analise as assertivas abaixo, em relação aos cuidados paliativos pediátricos.I. São pacientes elegíveis para cuidados paliativos pediátricos: criança em tratamento de leucemia; lactente com diagnóstico de fibrose cística; recém-nascido de mãe com infecção por HIV confirmada e não tratada na gestação; criança com osteogênese imperfeita; recém-nascido com anóxia neonatal grave.II. Manejo da dor em paciente em cuidados paliativos deve seguir a "escada" analgésica de dor da OMS que, atualmente, preconiza o uso de pequenas doses de opioides fortes ao invés da utilização de opioides fracos (tramadol e codeína).III. Crianças em cuidados paliativos podem apresentar necessidade de vias alternativas de administração de medicamentos. A hipodermóclise se destaca na administração de soluções e medicamentos, com absorção de medicamentos semelhante a via oral. Estão corretas as assertivas
Cuidados Paliativos Pediátricos abrangem amplo espectro de doenças, focam no manejo da dor com opioides fortes e utilizam hipodermóclise como via alternativa eficaz.
Os cuidados paliativos pediátricos são uma abordagem abrangente para crianças com doenças que ameaçam ou limitam a vida, visando melhorar a qualidade de vida do paciente e sua família. Incluem manejo da dor com a escada analgésica da OMS (com uso precoce de opioides fortes) e a utilização de vias alternativas como a hipodermóclise para administração de medicamentos.
Os cuidados paliativos pediátricos representam uma abordagem holística e multidisciplinar para crianças e suas famílias que enfrentam doenças que ameaçam ou limitam a vida. O objetivo principal é promover a melhor qualidade de vida possível, aliviando o sofrimento físico, psicossocial e espiritual. A elegibilidade para esses cuidados é ampla, incluindo condições oncológicas, neurológicas, cardíacas, pulmonares e genéticas, e deve ser iniciada precocemente, não apenas na fase terminal. O manejo da dor é um pilar fundamental nos cuidados paliativos pediátricos. A 'escada' analgésica da OMS tem sido revisada, e a tendência atual é a utilização de opioides fortes em doses baixas, mesmo em estágios iniciais, devido à sua maior eficácia e perfil de segurança mais previsível em comparação com opioides fracos como tramadol e codeína, que podem ter metabolização variável e efeitos adversos significativos em crianças. A avaliação contínua da dor e o ajuste da medicação são essenciais. Além do manejo da dor, a administração de medicamentos por vias alternativas é crucial. A hipodermóclise (via subcutânea) destaca-se como uma opção segura e eficaz para hidratação e administração de diversos fármacos, especialmente quando a via oral não é possível ou a via intravenosa é invasiva. Sua absorção é geralmente comparável à via oral para muitos medicamentos, e a técnica é de fácil aplicação e manutenção, contribuindo significativamente para o conforto e a autonomia do paciente e da família no ambiente domiciliar ou hospitalar.
São elegíveis crianças com doenças que ameaçam a vida (como câncer, fibrose cística, doenças neurológicas progressivas) ou que limitam a vida (como anóxia neonatal grave, osteogênese imperfeita severa). O foco é na qualidade de vida desde o diagnóstico, não apenas no final da vida.
O manejo da dor segue a escada analgésica da OMS, adaptada para pediatria. Atualmente, preconiza-se o uso de pequenas doses de opioides fortes (morfina, fentanil) em vez de opioides fracos (tramadol, codeína), que têm perfil de efeitos adversos menos favorável e menor eficácia em dores moderadas a graves.
A hipodermóclise é uma via alternativa segura e eficaz para a administração de soluções e medicamentos em crianças que não conseguem usar a via oral ou intravenosa. Ela permite a hidratação e a administração contínua de fármacos com boa absorção, melhorando o conforto e a qualidade de vida do paciente.
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