HOB - Hospital Oftalmológico de Brasília (DF) — Prova 2022
Quanto aos riscos ocupacionais que podem extrapolar o ambiente de trabalho e atingir a comunidade, julgue o item.No acidente radioativo de Goiânia, a radiação ionizante liberada pelo Césio 137 causou efeitos determinísticos nas pessoas que vieram a contrair câncer e efeitos estocásticos naquelas que foram a óbito pouco tempo depois da exposição.
Efeito determinístico = dose-dependente (morte celular); Estocástico = probabilístico (mutação/câncer).
Efeitos determinísticos ocorrem após um limiar de dose (ex: óbito por falência orgânica), enquanto estocásticos são probabilísticos e sem limiar (ex: câncer).
A interação da radiação ionizante com o tecido biológico pode resultar em danos diretos ao DNA ou indiretos via radicais livres. Na medicina ocupacional e segurança do trabalho, a distinção entre efeitos determinísticos e estocásticos é vital para estabelecer limites de exposição. Efeitos determinísticos resultam da morte celular massiva e têm um limiar claro, abaixo do qual o efeito não se manifesta. Já os efeitos estocásticos baseiam-se na hipótese Linear Sem Limiar (LNT), sugerindo que mesmo doses mínimas podem causar mutações que levam à carcinogênese anos após a exposição. O acidente de Goiânia é o exemplo clássico de como exposições agudas severas causam danos teciduais imediatos (determinísticos) e riscos aumentados de neoplasias futuras (estocásticos).
Efeitos determinísticos (ou reações teciduais) são aqueles causados por danos em um grande número de células, ocorrendo apenas acima de uma dose limiar específica. A gravidade do efeito aumenta com a dose. Exemplos incluem radiodermite, catarata e a síndrome aguda da radiação que pode levar ao óbito em curto prazo por falência de órgãos.
Efeitos estocásticos são de natureza probabilística. Não possuem uma dose limiar conhecida; qualquer exposição, por menor que seja, aumenta a probabilidade de ocorrência. O principal exemplo é o câncer radioinduzido e efeitos genéticos hereditários. A gravidade do efeito não depende da dose, apenas a chance de ele ocorrer.
Porque ela inverteu os conceitos: o câncer é um efeito estocástico (probabilístico, longo prazo) e o óbito por exposição aguda (como ocorreu em Goiânia por falência de medula óssea) é um efeito determinístico (dose-dependente, curto prazo, decorrente de morte celular massiva).
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