HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2022
Familiar de doente do sexo masculino, 76 anos, recorre à consultadevido ao pai estar com alguns dias de evolução de insônia, ansiedade e, de acordo com o familiar, movimentos repetitivos e involuntários súbitos com a língua, olhos e por vezes com as mãos. Tem antecedentes de diabetes mellitus tipo II, hipertensão arterial e gastroparesia. Medicado com domperidona, metoclopramida, metformina, lisinopril e aspirina. Qual dos seguintes medicamentos será, provavelmente, o responsável pelos sintomas do doente?
Metoclopramida, um antagonista dopaminérgico, pode causar sintomas extrapiramidais como discinesia, especialmente em idosos.
A metoclopramida é um pró-cinético com ação antiemética que atua bloqueando receptores dopaminérgicos D2. Seu uso pode levar a efeitos adversos neurológicos, como discinesia tardia, acatisia e parkinsonismo, devido ao bloqueio dopaminérgico central, sendo mais comum em idosos e com uso prolongado.
A metoclopramida é um medicamento amplamente utilizado como antiemético e pró-cinético, especialmente em condições como gastroparesia e náuseas pós-quimioterapia. Sua ação se dá pelo antagonismo dos receptores dopaminérgicos D2 e agonismo dos receptores serotoninérgicos 5-HT4, promovendo o esvaziamento gástrico e o aumento do tônus do esfíncter esofágico inferior. É crucial que estudantes e residentes compreendam seu mecanismo de ação e, principalmente, seu perfil de segurança, dada a prevalência de seu uso na prática clínica. Os efeitos adversos neurológicos, como os sintomas extrapiramidais, são uma preocupação significativa, especialmente em populações vulneráveis como idosos e crianças. A identificação precoce desses sintomas é fundamental para evitar complicações e garantir a segurança do paciente. A fisiopatologia dos efeitos extrapiramidais está ligada ao bloqueio dopaminérgico nos gânglios da base. O diagnóstico é clínico, baseado na história de uso do medicamento e no aparecimento dos sintomas característicos. O tratamento envolve a suspensão do fármaco e, em alguns casos, o uso de medicações para controlar os sintomas agudos. A prevenção é a melhor abordagem, utilizando a menor dose eficaz pelo menor tempo possível, e considerando alternativas com menor risco de efeitos centrais, como a domperidona, quando apropriado. A compreensão desses aspectos é vital para uma prática médica segura e eficaz.
Os principais sintomas incluem discinesia tardia (movimentos involuntários repetitivos), acatisia (inquietação motora), distonia (contrações musculares sustentadas) e parkinsonismo (rigidez, bradicinesia, tremor).
A metoclopramida atravessa a barreira hematoencefálica e bloqueia receptores dopaminérgicos no sistema nervoso central, enquanto a domperidona tem menor penetração central, agindo predominantemente na periferia, o que reduz seu potencial de causar esses efeitos.
A conduta inicial é suspender o medicamento. Em casos de distonia aguda, pode-se administrar anticolinérgicos como biperideno ou difenidramina. Para discinesia tardia, o manejo é mais complexo e pode envolver a troca por outro pró-cinético ou o uso de medicamentos específicos.
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