Uso de Testosterona: Efeitos Adversos Cardíacos e Metabólicos

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2024

Enunciado

Um homem de 32 anos de idade, praticante assíduo de musculação desde os dezesseis anos de idade, compareceu a uma consulta com queixa de dispneia aos esforços. Relatou uso de cipionato de testosterona, 700 mg por semana, de maneira contínua, há sete anos. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta os resultados de exames esperados (mais compatíveis) do paciente.

Alternativas

  1. A) hemoglobina glicada 7,5%, LDL 40, HDL 65 e ecocardiograma com fração de ejeção preservada e átrio esquerdo aumentado, sem mais alterações dignas de nota em outros exames
  2. B) LDL 127, HDL 15, ecocardiograma com fração de ejeção normal ou reduzida, hipertrofia ventricular esquerda concêntrica, disfunção diastólica deve. e hemoglobina de 17,5
  3. C) TGO 357, TGP 450, INR 1,8, bilirrubina total levemente aumentada e ecocardiograma com aumento de átrio esquerdo, sem mais alterações dignas de nota
  4. D) hemoglobina de 17,5, LDL 37, HDL 85, enzimas hepáticas levemente alteradas e ecocardiograma com hipertrofia ventricular esquerda concêntrica
  5. E) hemoglobina glicada 7,5%, HDL 30, LDL 115 e ecocardiograma com fração de ejeção preservada e átrio esquerdo aumentado, sem mais alterações dignas de nota em outros exames

Pérola Clínica

Uso crônico de testosterona → policitemia, dislipidemia (HDL ↓, LDL ↑), hipertrofia ventricular esquerda e disfunção diastólica.

Resumo-Chave

O uso prolongado de esteroides anabolizantes, como a testosterona em altas doses, causa múltiplos efeitos adversos sistêmicos. Destacam-se as alterações cardiovasculares (hipertrofia e disfunção ventricular), hematológicas (policitemia com risco trombótico) e metabólicas (dislipidemia grave).

Contexto Educacional

O uso abusivo e crônico de esteroides anabolizantes androgênicos (EAA), como o cipionato de testosterona, é uma preocupação crescente na saúde pública, especialmente entre praticantes de musculação. A busca por melhora de performance e estética leva muitos indivíduos a utilizarem doses suprafisiológicas por longos períodos, expondo-se a uma série de efeitos adversos graves. A compreensão desses riscos é fundamental para o diagnóstico e manejo adequados. A fisiopatologia dos efeitos adversos é multifacetada. A testosterona estimula a eritropoiese, levando à policitemia, que aumenta a viscosidade sanguínea e o risco de eventos trombóticos. No sistema cardiovascular, promove hipertrofia ventricular esquerda concêntrica e disfunção diastólica, podendo evoluir para cardiomiopatia e insuficiência cardíaca. Além disso, causa dislipidemia, com redução acentuada do HDL e aumento do LDL, acelerando a aterosclerose. Outros efeitos incluem hepatotoxicidade, alterações de humor e infertilidade. O diagnóstico precoce e a intervenção são cruciais. A anamnese deve investigar o uso de EAA. Exames complementares incluem hemograma (para policitemia), perfil lipídico, enzimas hepáticas e ecocardiograma. O tratamento envolve a cessação do uso, manejo das complicações (ex: flebotomia para policitemia, tratamento da dislipidemia e insuficiência cardíaca) e suporte psicológico. A educação sobre os riscos é a melhor estratégia preventiva.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais riscos cardiovasculares do uso prolongado de testosterona?

O uso prolongado de testosterona, especialmente em doses suprafisiológicas, pode levar à hipertrofia ventricular esquerda, disfunção diastólica, e aumentar o risco de eventos trombóticos devido à policitemia.

Como a testosterona afeta o perfil lipídico?

A testosterona exógena em altas doses tende a reduzir significativamente os níveis de HDL (colesterol "bom") e aumentar os níveis de LDL (colesterol "ruim"), contribuindo para um perfil aterogênico.

Quais exames laboratoriais devem ser monitorados em usuários de testosterona?

Hemograma completo (para policitemia), perfil lipídico (HDL, LDL), função hepática e avaliação cardíaca (ecocardiograma) são cruciais para monitorar os efeitos adversos.

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