FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2024
Um homem de 32 anos de idade, praticante assíduo de musculação desde os dezesseis anos de idade, compareceu a uma consulta com queixa de dispneia aos esforços. Relatou uso de cipionato de testosterona, 700 mg por semana, de maneira contínua, há sete anos. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta os resultados de exames esperados (mais compatíveis) do paciente.
Uso crônico de testosterona → policitemia, dislipidemia (HDL ↓, LDL ↑), hipertrofia ventricular esquerda e disfunção diastólica.
O uso prolongado de esteroides anabolizantes, como a testosterona em altas doses, causa múltiplos efeitos adversos sistêmicos. Destacam-se as alterações cardiovasculares (hipertrofia e disfunção ventricular), hematológicas (policitemia com risco trombótico) e metabólicas (dislipidemia grave).
O uso abusivo e crônico de esteroides anabolizantes androgênicos (EAA), como o cipionato de testosterona, é uma preocupação crescente na saúde pública, especialmente entre praticantes de musculação. A busca por melhora de performance e estética leva muitos indivíduos a utilizarem doses suprafisiológicas por longos períodos, expondo-se a uma série de efeitos adversos graves. A compreensão desses riscos é fundamental para o diagnóstico e manejo adequados. A fisiopatologia dos efeitos adversos é multifacetada. A testosterona estimula a eritropoiese, levando à policitemia, que aumenta a viscosidade sanguínea e o risco de eventos trombóticos. No sistema cardiovascular, promove hipertrofia ventricular esquerda concêntrica e disfunção diastólica, podendo evoluir para cardiomiopatia e insuficiência cardíaca. Além disso, causa dislipidemia, com redução acentuada do HDL e aumento do LDL, acelerando a aterosclerose. Outros efeitos incluem hepatotoxicidade, alterações de humor e infertilidade. O diagnóstico precoce e a intervenção são cruciais. A anamnese deve investigar o uso de EAA. Exames complementares incluem hemograma (para policitemia), perfil lipídico, enzimas hepáticas e ecocardiograma. O tratamento envolve a cessação do uso, manejo das complicações (ex: flebotomia para policitemia, tratamento da dislipidemia e insuficiência cardíaca) e suporte psicológico. A educação sobre os riscos é a melhor estratégia preventiva.
O uso prolongado de testosterona, especialmente em doses suprafisiológicas, pode levar à hipertrofia ventricular esquerda, disfunção diastólica, e aumentar o risco de eventos trombóticos devido à policitemia.
A testosterona exógena em altas doses tende a reduzir significativamente os níveis de HDL (colesterol "bom") e aumentar os níveis de LDL (colesterol "ruim"), contribuindo para um perfil aterogênico.
Hemograma completo (para policitemia), perfil lipídico (HDL, LDL), função hepática e avaliação cardíaca (ecocardiograma) são cruciais para monitorar os efeitos adversos.
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