USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025
O Médico de Família e Comunidade (MFC) observou que um paciente, de 50 anos, que ele havia referenciado para o cardiologista, por conta de uma hipertensão arterial de difícil controle, não retornou mais à Unidade de Saúde da Família (USF) para seguimento. Como não recebeu nenhuma contrarreferência do cardiologista, entrou em contato para saber sobre a condição de saúde do paciente. O cardiologista informou que o paciente estava bem e que, após a realização de exames, trocou algumas medicações antihipertensivas, com estabilização da pressão arterial. Comentou, ainda, que não havia contrarrefenciado o paciente à Atenção Primária à Saúde (APS), pois entendia que o melhor manejo deste agravo é realizado pelo cardiologista. O MFC argumentou que o paciente poderia ser contrarreferenciado à APS e que eles poderiam compartilhar o cuidado dessa pessoa. Considerando a Política Nacional de Atenção Especializada do Sistema Único de Saúde, como pode ser classificada esta prática do cardiologista?
Paciente referenciado à especialidade que não retorna à APS para seguimento = Efeito Velcro, prejudicando a coordenação do cuidado.
O 'efeito velcro' descreve a retenção de pacientes na atenção especializada após encaminhamento da Atenção Primária à Saúde (APS), sem contrarreferência. Essa prática fragmenta o cuidado, desvaloriza a longitudinalidade da APS e vai contra os princípios de integração e coordenação do cuidado preconizados pelo SUS.
A organização do Sistema Único de Saúde (SUS) baseia-se na Atenção Primária à Saúde (APS) como porta de entrada e coordenadora do cuidado, articulando-se com os demais níveis de atenção, incluindo a atenção especializada. A referência e contrarreferência são mecanismos essenciais para garantir a continuidade e a integralidade do cuidado ao paciente, permitindo que o fluxo entre os serviços seja eficiente e que o paciente receba a atenção adequada em cada nível, sem perder o vínculo com sua equipe de saúde da família. O 'efeito velcro' é um fenômeno que descreve a retenção indevida de pacientes na atenção especializada, após um encaminhamento da APS, sem que haja o retorno ou a contrarreferência para o seguimento na unidade básica. Essa prática, muitas vezes motivada pela percepção do especialista de que ele é o único capaz de manejar a condição, resulta na fragmentação do cuidado. Ela desconsidera a capacidade da APS de acompanhar condições crônicas estabilizadas e de integrar o cuidado do paciente em seu contexto familiar e comunitário, indo contra os princípios da longitudinalidade e integralidade. Para combater o 'efeito velcro' e fortalecer a rede de atenção, é crucial promover a comunicação efetiva entre os profissionais da APS e da atenção especializada. A contrarreferência deve ser uma prática rotineira, informando à equipe da APS sobre o diagnóstico, tratamento instituído e plano de seguimento do paciente. O compartilhamento do cuidado, onde a APS e o especialista atuam em conjunto, com papéis bem definidos, é a abordagem ideal para garantir a melhor assistência ao paciente, otimizar os recursos do sistema e valorizar o papel de cada nível de atenção.
O 'efeito velcro' ocorre quando um paciente, após ser referenciado da Atenção Primária à Saúde (APS) para um especialista, não retorna à APS para o seguimento de sua condição. Isso fragmenta o cuidado, dificulta a coordenação, pode levar à duplicação de exames e procedimentos, e compromete a integralidade e longitudinalidade do acompanhamento do paciente.
A contrarreferência é fundamental para a coordenação do cuidado, permitindo que a APS retome o acompanhamento do paciente com as informações atualizadas do especialista. Ela fortalece o papel da APS como ordenadora do cuidado, garante a continuidade e a integralidade, e otimiza o uso dos recursos da rede de saúde.
A Política Nacional de Atenção Especializada, alinhada aos princípios do SUS, preconiza a integração e a comunicação entre os diferentes níveis de atenção à saúde. Ela enfatiza a importância da referência e contrarreferência como mecanismos para garantir a continuidade do cuidado e a atuação da APS como coordenadora da rede, mesmo em casos de acompanhamento especializado.
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