MedEvo Simulado — Prova 2026
Helena, 62 anos, G0P0, menopausa aos 51 anos, procura atendimento ginecológico devido a sangramento vaginal de pequena intensidade há três semanas. Possui histórico de obesidade grau II (IMC 36 kg/m²) e hipertensão arterial sistêmica controlada com enalapril. Faz uso de tamoxifeno há quatro anos devido a tratamento prévio de câncer de mama (carcinoma ductal infiltrante, receptores hormonais positivos), tendo realizado cirurgia conservadora e radioterapia. Ao exame físico, apresenta genitália externa sem lesões e colo uterino atrófico, sem sangramento ativo no momento. A ultrassonografia transvaginal revela útero de volume normal e eco endometrial de 12 mm, com áreas císticas de permeio. Realizada biópsia endometrial por aspiração (Pipelle), cujo laudo histopatológico descreve: glândulas dilatadas e císticas, revestidas por epitélio colunar simples, com estroma fibroso denso e ausência de atipias citológicas. Com base no quadro clínico e no resultado anatomopatológico, a conduta mais adequada é:
Tamoxifeno + Endométrio cístico sem atipia → Conduta expectante e seguimento clínico.
O tamoxifeno possui efeito agonista parcial no endométrio, podendo causar espessamento e alterações císticas benignas. Se a biópsia exclui atipias, não há indicação de intervenção cirúrgica.
O tamoxifeno é fundamental no tratamento do câncer de mama receptor-hormonal positivo, mas seu efeito estrogênico no útero exige vigilância. O achado histopatológico de glândulas dilatadas sem atipias em uma paciente com sangramento e uso de tamoxifeno sugere alterações benignas induzidas pela droga, conhecidas como atrofia cística. A conduta expectante é segura se a amostragem endometrial (como a realizada por Pipelle) for representativa e negativa para malignidade ou hiperplasia atípica. É crucial que o ginecologista diferencie o espessamento real da 'pseudohiperplasia' cística observada na imagem, evitando procedimentos invasivos desnecessários em pacientes oncológicas estáveis.
O tamoxifeno atua como um modulador seletivo do receptor de estrogênio (SERM). Embora seja antagonista na mama, exerce um efeito agonista parcial no endométrio, estimulando a proliferação celular e podendo levar a pólipos, hiperplasia e, raramente, carcinoma. O achado de glândulas dilatadas e estroma fibroso é característico da atrofia cística induzida pela droga, simulando espessamento na ultrassonografia.
Não existe um ponto de corte universalmente aceito para biópsia em assintomáticas, pois o tamoxifeno frequentemente causa falso-positivo na ultrassonografia (aspecto 'em queijo suíço'). No entanto, em pacientes com sangramento vaginal, a investigação histológica é obrigatória, independentemente da espessura endometrial encontrada no exame de imagem.
A troca de tamoxifeno por inibidores da aromatase (como anastrozol) é uma decisão da oncologia baseada no status menopausal, perfil de efeitos colaterais e risco de recorrência do câncer de mama, não sendo a conduta primária recomendada apenas para achados endometriais benignos ou atrofia cística.
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