PMF - Prefeitura Municipal de Franca (SP) — Prova 2021
Homem de 68 anos de idade, com diagnóstico de diabetes mellitus há 10 anos, queixa-se que, desde a última consulta, há 20 dias, sente se ansioso, principalmente à noite, quando apresenta pesadelos, palpitações e sudorese. Está em uso de metformina 2.550 mg/d (dose máxima), insulina NPH 22 U antes do café e 16 U antes do jantar, insulina R 4 U antes do café e 4 U antes do jantar. Traz controles glicêmicos aferidos nas duas últimas semanas, cujas médias estão apresentadas a seguir: Qual é a conduta para a principal hipótese diagnostica neste momento? Jejum 245; Após almoço 155; Antes de jantar 120; Antes de deitar 106
Hipoglicemia noturna (Somogyi) → reduzir NPH noturna e/ou ajustar horário para evitar rebote hiperglicêmico.
O efeito Somogyi ocorre quando a hipoglicemia noturna (muitas vezes assintomática) desencadeia a liberação de hormônios contrarreguladores, levando à hiperglicemia de rebote pela manhã. A suspeita deve surgir com sintomas noturnos e glicemias elevadas no jejum, após uma glicemia baixa antes de deitar ou durante a madrugada.
O efeito Somogyi, ou hipoglicemia de rebote, é um fenômeno importante na prática clínica do diabetes mellitus, especialmente em pacientes em insulinoterapia. Caracteriza-se por um episódio de hipoglicemia (muitas vezes assintomática) durante a madrugada, que desencadeia uma resposta hormonal contrarreguladora (liberação de glucagon, cortisol, GH e catecolaminas), resultando em hiperglicemia significativa no período da manhã. É crucial para residentes e estudantes de medicina reconhecer essa condição para evitar erros no manejo. A fisiopatologia envolve a superdosagem de insulina noturna, que leva à queda excessiva da glicemia. O diagnóstico diferencial com o fenômeno do alvorecer é fundamental: enquanto no Somogyi há hipoglicemia noturna, no fenômeno do alvorecer a glicemia sobe no final da madrugada devido à liberação hormonal fisiológica, sem um episódio hipoglicêmico prévio. A suspeita clínica surge com sintomas noturnos (sudorese, pesadelos, cefaleia matinal) e glicemias de jejum elevadas, contrastando com valores normais ou baixos antes de deitar. O tratamento do efeito Somogyi consiste na redução da dose de insulina noturna, particularmente a NPH, ou no ajuste do seu horário de administração para que o pico de ação não coincida com o período de sono profundo. Monitorar as glicemias de madrugada (entre 2h e 3h) é essencial para confirmar a hipoglicemia. O manejo adequado previne a recorrência dos episódios e melhora o controle glicêmico geral do paciente, evitando a tendência de aumentar a insulina para corrigir a hiperglicemia matinal, o que agravaria o quadro.
O efeito Somogyi se manifesta com sintomas de hipoglicemia noturna, como pesadelos, sudorese, palpitações e ansiedade, seguidos por hiperglicemia de rebote no jejum.
A principal diferença está na glicemia da madrugada: no Somogyi, há hipoglicemia (geralmente entre 2h-3h), enquanto no fenômeno do alvorecer, a glicemia permanece estável ou sobe gradualmente.
A conduta inicial é reduzir a dose de insulina noturna (especialmente NPH) ou ajustar seu horário de administração para evitar o pico de ação durante a madrugada, prevenindo a hipoglicemia.
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