Afacia e Diplopia: Manejo do Efeito Prismático em Óculos

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2025

Enunciado

Uma paciente afácica usa lentes de contato para correção de +13,00 DE em ambos os olhos. Devido a alterações na superfície ocular, teve que suspender as lentes e utilizar óculos. Ao utilizar óculos monofocais para perto, notou diplopia horizontal durante a leitura. Qual correção prismática mais provavelmente melhoraria sua queixa?

Alternativas

  1. A) Prisma de base temporal em ambos os olhos.
  2. B) Prisma de base nasal em ambos os olhos.
  3. C) Prisma de base temporal no olho direito e base nasal no olho esquerdo.
  4. D) Prisma de base nasal no olho direito e base temporal no olho esquerdo.

Pérola Clínica

Lentes positivas altas → efeito base temporal na convergência → compensar com prisma de base nasal.

Resumo-Chave

Em pacientes afácicos usando altas dioptrias positivas, a convergência para perto faz o eixo visual passar temporalmente ao centro óptico, gerando efeito prismático de base temporal que exige base nasal para correção.

Contexto Educacional

A óptica da afacia envolve desafios significativos devido à alta potência necessária (geralmente >+10.00D). A substituição de lentes de contato por óculos introduz distorções periféricas e efeitos prismáticos induzidos pelo movimento ocular em relação ao centro óptico fixo da armação. Este fenômeno é uma aplicação direta da física óptica na prática clínica diária do oftalmologista. O entendimento da Lei de Prentice é fundamental para resolver queixas de astenopia e diplopia em usuários de altas ametropias. Ao convergir, o paciente afácico 'encontra' uma base prismática que dificulta a fusão, sendo o prisma de base nasal a solução padrão para reduzir o estresse sobre os músculos retos mediais durante a leitura.

Perguntas Frequentes

Por que ocorre diplopia na leitura com óculos de alta potência positiva?

Pela Lei de Prentice (P = c x F), quando o paciente converge para ler, os olhos olham através da porção temporal das lentes positivas. Como lentes positivas funcionam como dois prismas unidos pela base, a porção temporal atua como um prisma de base temporal, exigindo esforço excessivo de convergência e causando diplopia.

Qual a regra para correção prismática em lentes positivas?

Para neutralizar o efeito de base temporal induzido pela convergência em lentes positivas, deve-se prescrever prismas de base nasal. Isso alivia a demanda de convergência fusional do paciente.

Por que lentes de contato não causam esse efeito?

As lentes de contato movem-se com o olho, mantendo o eixo visual alinhado ao centro óptico da lente, eliminando a descentração (c = 0) e, consequentemente, o efeito prismático de Prentice.

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