CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2007
O mesmo paciente (míope jovem com óculos de 15 D em ambos os olhos, sem hipo ou hipercorreção), sendo ortofórico, no momento da confecção dos óculos teve a distância dos centros ópticos das lentes superando a sua distância interpupilar de maneira simétrica. Ele poderá ter:
Lente negativa + CO > DNP → Prisma Base Interna (BI) → Dificuldade na divergência para longe.
O descentramento lateral de lentes negativas de alto poder induz prismas que exigem esforço fusional; se o centro óptico for maior que a DNP, induz-se prisma base interna.
A montagem correta de lentes de alto poder dióptrico é crítica na prática oftalmológica. A Lei de Prentice demonstra que o efeito prismático é diretamente proporcional ao poder da lente e à distância do descentramento em relação ao centro óptico. Em pacientes com alta miopia (-15.00 D), um erro de poucos milímetros na distância nasopupilar (DNP) pode induzir várias dioptrias prismáticas. Quando o centro óptico da lente negativa está posicionado temporalmente em relação ao eixo visual (CO > DNP), cria-se um efeito de prisma de base interna. Isso exige que o sistema visual realize uma divergência fusional para evitar a diplopia. Como a reserva de divergência é menor que a de convergência, o paciente apresenta sintomas de cansaço visual e cefaleia, especialmente ao olhar para o infinito (longe).
Em lentes negativas (míopes), a periferia é mais espessa que o centro. Se os centros ópticos estão mais afastados que as pupilas, o paciente olha através da parte interna da lente, que age como um prisma de base interna (BI).
O prisma BI desloca a imagem para fora (temporal). Para manter a visão simples, o paciente precisa divergir os olhos. Como a amplitude de divergência para longe é fisiologicamente limitada, esse esforço constante gera astenopia e desconforto.
Utiliza-se a Lei de Prentice: P = c x F, onde P é o poder prismático (dioptrias prismáticas), c é o descentramento em centímetros e F é o poder da lente em dioptrias. Em lentes de 15D, pequenos descentramentos geram grandes efeitos prismáticos.
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