Edema por Anlodipino: Diagnóstico e Manejo Clínico

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem de 48 anos apresenta há 4 semanas edema bilateral vespertino diário nos tornozelos ou após ortostase no trabalho, associado a desconforto nos pés. AP: HAS há 2 meses, em uso de enalapril 10 mg 12/12h e anlodipino 5 mg/dia. Ao exame físico: PA 140 x 85 mmHg bilateralmente; edema indolor 1+/4+ nos tornozelos. Exames: Cr 1,2 mg/dL (prévio 1,0 mg/dL), K 4,5 mEq/L, índice albuminúria/creatinina urinária 18 mg/g. O diagnóstico mais provável e a conduta terapêutica são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) edema relacionado ao anlodipino; substituí-lo por diurético tiazídico.
  2. B) insuficiência cardíaca de etiologia hipertensiva; iniciar furosemida e carvedilol.
  3. C) edema por injúria renal aguda KDIGO 1; trocar o enalapril por losartana.
  4. D) síndrome nefrótica; aumentar a dose do enalapril e adicionar espironolactona

Pérola Clínica

Edema periférico por anlodipino → comum, dose-dependente; considerar troca ou adição de diurético tiazídico.

Resumo-Chave

O anlodipino, um bloqueador de canal de cálcio diidropiridínico, é uma causa comum de edema periférico, especialmente nos tornozelos, devido à vasodilatação arteriolar. A conduta inicial é considerar a redução da dose, a troca por outro anti-hipertensivo ou a adição de um diurético tiazídico para controle do edema e da pressão arterial.

Contexto Educacional

O edema periférico é um efeito adverso comum dos bloqueadores de canal de cálcio diidropiridínicos, como o anlodipino, afetando uma parcela significativa dos pacientes e sendo uma causa frequente de descontinuação do tratamento. Sua compreensão é crucial para o manejo da hipertensão arterial sistêmica, uma condição de alta prevalência na prática clínica. A fisiopatologia do edema induzido por anlodipino envolve a vasodilatação preferencial das arteríolas pré-capilares, sem uma vasodilatação correspondente nas vênulas pós-capilares. Isso leva a um aumento da pressão hidrostática nos capilares, favorecendo o extravasamento de fluido para o espaço intersticial, principalmente nas extremidades inferiores. O diagnóstico é clínico, baseado na história de uso do medicamento e na exclusão de outras causas de edema, como insuficiência cardíaca, renal ou hepática. O tratamento geralmente envolve a modificação da terapia anti-hipertensiva. As opções incluem a redução da dose do anlodipino, a substituição por um bloqueador de canal de cálcio não diidropiridínico (se apropriado para o controle pressórico), a troca por outra classe de anti-hipertensivos, ou a adição de um inibidor da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueador do receptor de angiotensina (BRA) que podem atenuar a vasodilatação arteriolar e venular, ou um diurético tiazídico para auxiliar na remoção do excesso de fluido.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas do edema induzido por anlodipino?

O edema induzido por anlodipino geralmente se manifesta como inchaço bilateral e indolor nos tornozelos e pés, piorando ao final do dia ou após ortostase prolongada, sem outros sinais de congestão sistêmica.

Por que o anlodipino causa edema periférico?

O anlodipino, um bloqueador de canal de cálcio diidropiridínico, causa vasodilatação preferencial das arteríolas pré-capilares, levando a um aumento da pressão hidrostática capilar e extravasamento de fluido para o interstício, resultando em edema.

Qual a conduta inicial para o edema por anlodipino?

A conduta inicial pode incluir a redução da dose do anlodipino, a substituição por outro anti-hipertensivo (como um IECA/BRA ou outro tipo de BCC) ou a adição de um diurético tiazídico para auxiliar na eliminação do excesso de fluido.

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