HRAC-USP/Centrinho - Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais - Bauru (SP) — Prova 2025
Mulher, 64 anos de idade, apresenta edema dos membros inferiores há um ano, que piora no período vespertino. Tem cefaleia em salvas e diabetes melito tipo 2 com mau controle glicêmico e neuropatia periférica. Faz uso de verapamil, insulina e pregabalina. Exame físico: edema (++/4), frio, mole, indolor, simétrico até os joelhos. Hemograma, função renal, eletrólitos e avaliação de lesão hepatocelular, canalicular e de função hepática normais. Análises de função hepática, de lesão hepatocelular e de eletrólitos não apresentam alterações. Qual é a próxima conduta mais adequada na abordagem do edema da paciente apresentada?
Edema periférico em idosos pode ser efeito adverso de bloqueadores de canal de cálcio como verapamil.
O verapamil, um bloqueador de canal de cálcio não diidropiridínico, é conhecido por causar edema periférico como efeito adverso comum, especialmente em membros inferiores, devido à vasodilatação arteriolar. A suspensão ou substituição do medicamento é a conduta mais adequada após excluir outras causas.
O edema de membros inferiores é uma queixa comum em pacientes idosos, e seu diagnóstico diferencial é amplo, incluindo causas cardíacas, renais, hepáticas, venosas e medicamentosas. É crucial uma anamnese detalhada para identificar o uso de fármacos que podem induzir edema, como os bloqueadores de canal de cálcio. O verapamil, um antiarrítmico e anti-hipertensivo, é um conhecido causador de edema periférico. A fisiopatologia do edema induzido por bloqueadores de canal de cálcio (BCCs) envolve a vasodilatação arteriolar sem uma vasodilatação venosa correspondente. Isso leva a um aumento da pressão hidrostática capilar, extravasamento de fluido para o interstício e, consequentemente, edema. O diagnóstico é de exclusão, após descartar outras causas sistêmicas de edema através de exames laboratoriais e de imagem (ecocardiograma, ultrassom Doppler venoso). A conduta mais adequada para o edema induzido por verapamil é a suspensão ou substituição do medicamento por uma alternativa que não cause esse efeito adverso, como um inibidor da ECA ou um diurético. A introdução de diuréticos sem a retirada do agente causal pode ser ineficaz e até causar efeitos colaterais. O prognóstico é bom com a retirada do medicamento, com resolução gradual do edema.
Além dos bloqueadores de canal de cálcio (como verapamil, anlodipino), outros medicamentos incluem anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), pioglitazona, gabapentina e pregabalina.
O edema medicamentoso geralmente é bilateral, simétrico, mole, indolor e não acompanhado de sinais de insuficiência cardíaca, renal ou hepática, que devem ser excluídas por exames complementares.
A conduta mais adequada é suspender o verapamil ou substituí-lo por outro anti-hipertensivo, se possível, e observar a resolução do edema. Diuréticos são geralmente desnecessários.
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