FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2022
Mulher, 60 anos, hipertensa, portadora de angina estável, em uso de aspirina, anlodipina, enalapril, sinvastatina e ezetimiba, apresenta edema bilateral perimaleolar, mole, sem evidência de sinais inflamatórios. No exame físico, apresenta-se eupnéica, sem estertoração pulmonar ou turgência jugular. Exames laboratoriais dentro da normalidade e sem azotemia. A hipótese diagnóstica mais provável para explicar o edema é:
Edema perimaleolar bilateral em uso de anlodipina → suspeitar de efeito colateral do bloqueador de canal de cálcio.
O edema perimaleolar bilateral, mole e sem sinais inflamatórios, em uma paciente em uso de anlodipina (um bloqueador de canal de cálcio diidropiridínico), é um efeito colateral comum e bem conhecido dessa classe de medicamentos, devido à vasodilatação arteriolar que aumenta a pressão hidrostática capilar.
O edema de membros inferiores é uma queixa comum na prática clínica, e sua etiologia pode ser multifatorial. Em pacientes idosos, polimedicados e com comorbidades cardiovasculares, é crucial considerar os efeitos adversos de medicamentos. Os bloqueadores de canal de cálcio (BCC) diidropiridínicos, como a anlodipina, são amplamente utilizados no tratamento da hipertensão arterial e angina estável, mas são conhecidos por induzir edema periférico como efeito colateral comum. O mecanismo fisiopatológico do edema induzido por BCCs envolve a vasodilatação arteriolar preferencial, que leva a um aumento da pressão hidrostática capilar, favorecendo o extravasamento de líquido para o espaço intersticial. Este edema é tipicamente bilateral, mole, gravitacional (perimaleolar), e não está associado a sinais inflamatórios, dor ou outras manifestações de insuficiência cardíaca ou renal. A ausência de dispneia, estertores pulmonares, turgência jugular e exames laboratoriais normais na paciente do caso clínico reforçam a hipótese de edema medicamentoso. O diagnóstico diferencial inclui insuficiência cardíaca, insuficiência venosa crônica, hipotireoidismo, doença renal ou hepática, e trombose venosa profunda. No entanto, o perfil clínico da paciente, com uso de anlodipina e ausência de outros sinais e sintomas, aponta fortemente para o efeito colateral do medicamento. A conduta pode envolver a redução da dose da anlodipina, a substituição por outro anti-hipertensivo ou a associação com um inibidor da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueador do receptor de angiotensina (BRA), que podem atenuar o edema ao promoverem vasodilatação venosa e arteriolar equilibrada.
O edema ocorre devido à vasodilatação arteriolar preferencial, que aumenta a pressão hidrostática capilar e favorece o extravasamento de líquido para o interstício, principalmente nas extremidades dependentes.
O edema por anlodipina é tipicamente bilateral, mole, indolor, sem sinais inflamatórios e não associado a sinais de insuficiência cardíaca (dispneia, turgência jugular). A ausência de azotemia e exames laboratoriais normais também ajudam a excluir causas renais ou hepáticas.
A conduta pode incluir a redução da dose da anlodipina, a troca por outro anti-hipertensivo (como um IECA ou BRA que podem contrabalancear a vasodilatação arteriolar), ou a associação de um diurético, embora este último seja menos eficaz para este tipo de edema.
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